Testando a coragem dos agricultores
Sexta, 18 de Setembro de 2015

Os agricultores são tidos como uma das classes mais perseverantes e corajosas diante das dificuldades que se apresentam na profissão. De antemão sabem que o risco de produzir é grande, pois podem vir as adversidades climáticas (secas, chuvaradas, granizo, geadas), as pragas e doenças, os baixos preços de venda dos produtos, a falta de mercado e assim por diante. Mesmo assim, acreditam no que fazem e empreendem sem saber o que vem pra frente. Com fé se movem e se organizam dentro dos ciclos biológicos para, no melhor sinal do tempo, semear, plantar, cuidar das plantas e, como um artista, fazer do seu trabalho na terra bruta uma obra de arte, uma lavoura de referência, uma produção “de cheio”. Se a estiagem compromete a produção, tem coragem de, no ano seguinte, recomeçar acreditando que não faltará chuva. Se a chuvarada estragar a produção recomeça com a atividade que der e, na safra seguinte, semeia novamente com fé de que haverá dias de sol e dias de chuva na medida certa. Se der produção “de cheio” e os preços de venda se apresentarem baixos continua com a produção, acreditando que melhores preços virão.

A fé, a coragem e a perseverança são qualidades que dignificam o agricultor. Não há bom agricultor sem essas qualidades, pois a todo o momento ele é testado pelas adversidades. Sem essas qualidades ele desiste e toma outro rumo.

Pois bem! Neste início de safra o agricultor foi chamado novamente a ter coragem, a ter perseverança, a recomeçar diante da geada que danificou ou destruiu a plantação. Lá se foi o tempo, os fertilizantes, as sementes, as horas trabalhadas. Alguns tiveram apenas angústia e medo de que suas lavouras fossem atingidas pelo frio excessivo, mas por alguma condição a lavoura não foi danificada. Outros tiveram suas lavouras em parte atingidas, o que viabiliza o replantio ou recomeço, preservando a parte boa. E houve aqueles que perderam toda a lavoura e precisam recomeçar e, recomeçar com coragem porque o melhor período de plantio ou de manejo (no caso da videira) já passou.

Ainda não se tem um panorama quantificado do dano causado pela geada na região, mas observamos que houve lavouras de milho danificadas ou destruídas, lavouras de feijão, parreirais e trigo com danos irreversíveis. No caso do trigo o ciclo já passou, então a área pode ser ocupada com soja ou milho, porém, no caso de se cultivar milho, corre-se o risco de ser atingido por estiagens em dezembro e amargar, novamente, prejuízos. No caso do feijão também não há como efetuar o replantio porque pode ser atingido pelos veranicos de novembro e dezembro e, com isso, aumentar o prejuízo. E os parreirais! Ah, os parreirais! Estes precisam de poda para provocar rebrote, não para formar cachos, mas para produzir ramas para que no próximo ano tudo recomece. Então! O agricultor deve ou não deve ter coragem e persistência para continuar na agricultura? Coragem agricultores!

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