O conhecimento é fator de permanência do agricultor no campo
Sexta, 25 de Setembro de 2015

A cada ano que passa há menos agricultores no campo. Muitas são as causas atribuídas para o êxodo rural. Podemos citar algumas: falta de vocação para as atividades rurais, falta de rentabilidade, penosidade das tarefas diárias, intempéries, baixos preços dos produtos, falta de sucessor, entre outros. Os agricultores familiares são os mais vulneráveis e são os que mais deixam o campo em busca de oportunidades mais confortáveis. Vão primeiro os jovens, sobretudo as meninas, e depois vão os pais. O que fazer para estancar este fenômeno? Nos países mais ricos parece que o fenômeno estancou há alguns anos e em muitos já há o caminho inverso. Nos países em desenvolvimento ainda está acelerada a migração para a cidade.
Vou me atrever aqui a fazer uma breve reflexão sobre um aspecto que está pesando para a permanência do homem no campo: a rentabilidade das atividades. Se a atividade empreendida remunera satisfatoriamente as pessoas que trabalham na propriedade há chance da permanência no meio rural, do contrário a cidade é o caminho. No fundo, a rentabilidade está estreitamente ligada ao nível de conhecimento que é exigido do agricultor sobre a atividade empreendida. Então, na verdade, é o conhecimento que é o fator decisivo para a permanência no meio rural. Conhecimento em várias áreas como gestão, técnicas de produção, mercados, logística, legislação, custos de produção, entre outros. Os agricultores que possuem um grau de conhecimento maior sobre seus empreendimentos melhor conduzem suas atividades, são mais independentes e assim melhores rentabilidades alcançam. Aqueles que possuem alguma dificuldade de acesso ao conhecimento mais dependência possuem e, por isso, são mais vulneráveis.
Os agricultores familiares possuem inúmeras oportunidades e atividades para empreenderem nas pequenas propriedades. Mas há a necessidade de conhecer o que se faz. Mesmo as culturas mais tradicionais como o milho, a soja e o feijão não devem ser conduzidas como antigamente porque não são mais as mesmas geneticamente. Há muita tecnologia sobre a genética e sobre o manejo destas culturas que as fazem serem diferentes daquelas antigas. Exemplo se tem na suinocultura e na avicultura, cujos animais criados há 30 anos são completamente diferentes na genética e no manejo dos de hoje. Só ficaram na atividade os criadores que conseguiram acompanhar as mudanças.
Como permanecer na atividade leiteira, por exemplo, se não conheço as necessidades de cada raça e de cada categoria? Como produzir peixes se não conheço as exigências de cada espécie (carpa capim, carpa prateada, carpa cabeça grande, tilápia, jundiá)? Como produzir frutas se não conheço as necessidades das diferentes espécies e cultivares? Falei aqui do aspecto mais básico que normalmente é o chão do agricultor: a produção. E os demais aspectos que estão pesando tanto quanto a produção como os mercados, a legislação, a gestão da propriedade, a política econômica e assim por diante? Então, o conhecimento é decisivo para permanecer no meio rural.

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