O momento da agricultura é de cautela e muito cálculo
Sexta, 02 de Outubro de 2015

Está realmente mais difícil manter a rentabilidade na safra que se inicia, se continuar a política econômica que se apresenta. O dólar disparou e levou para o alto o preço dos insumos básicos que são usados para a condução das atividades agrícolas. Os juros dos empréstimos saltaram no patamar de cima. Salienta-se que a agricultura já vem surrada pela falta de mão de obra e preço baixo de alguns produtos. Soma-se a isso a complexidade de exigências que aumentam sobre a produção, como a legislação, os impostos e taxas embutidas nos serviços e insumos, os mercados mais exigentes, as leis trabalhistas que se impõem a aqueles que possuem empregados, entre outros. Não esqueçamos que também há a falta de estrutura de suporte para algumas propriedades, como a precariedade da oferta de energia elétrica, as vias de escoamento insatisfatórias, a falta de sinal de telefonia, a falta de estruturas de armazenagem, etc. Não é um lamento, mas é a realidade. Há um longo caminho que precisa ser construído para que haja melhor tranquilidade para o agricultor produzir e continuar na atividade. Já houve muito avanço, mas é preciso muito mais.

O agricultor empresarial tem melhor condição de suportar as adversidades porque trabalha em grande escala. Os custos são diluídos em muitas unidades de produção, embora a rentabilidade também seja afetada pelos efeitos da política econômica. Contudo, a verticalização da produção e a condição de melhor estrutura, que geralmente possuem, podem minimizar os efeitos da crise econômica.

Situação desconfortável está para os agricultores familiares ou pequenos produtores que trabalham com baixa escala de produção e a maioria também com diversas atividades que dificultam a especialização e, com isso, aumenta-se a chance da produção de qualidade inferior. Nestes tempos de economia turbulenta, são os mais prejudicados. Não há política pública que compense as perdas ou as desvantagens que recaem sobre esta categoria.

O momento exige para todos cautela e muito cálculo. O custo de produção em relação à safra passada aumentou pelo menos em 35%. Aqueles que adquiriram os insumos para formar as lavouras antes da disparada do dólar terão oportunidade de ter excelentes ganhos. No entanto, aqueles que deixaram para comprar os insumos de última hora terão que aumentar os cuidados na formação das lavouras para ter vantagem. Por exemplo: usar semente de qualidade e efetuar o plantio no melhor momento com máquina bem regulada para garantir uma população de plantas adequada; usar a adubação conforme a análise de solo e estar atento para efetuar o manejo fitossanitário no melhor momento; exigir e guardar as Notas Fiscais das sementes (que devem estar de acordo com o zoneamento agroclimático) e dos insumos para apresentação, se necessário em caso de Proagro. Respeitar as exigências de refúgio se exigido pelo obtentor da semente. Em resumo, é momento de tentar ganhar vantagem através de uma lavoura bem feita. Procurar minimizar todos os riscos que estiverem ao alcance do produtor. Por isso, cautela e cálculo.

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