A viabilidade do agricultor familiar
Sexta, 09 de Outubro de 2015

A agricultura familiar vive um momento de prova de sustentabilidade que exige esforço redobrado e conjunto das lideranças, das instituições, dos governos e dos próprios agricultores para a sobrevivência. A sustentabilidade advém da viabilidade econômica dos agricultores familiares, principalmente diante dos mercados cada vez mais competitivos pela escala de produção, pela qualidade dos produtos, pelo menor custo de produção e pela produtividade. Soma-se à viabilidade econômica a sucessão familiar que é responsável pela perpetuação das características etnoculturais e locais dos produtos que dão a identidade e a diversidade própria do agricultor familiar. A legislação, embora com algumas benécias na área ambiental, na comercial e na produção agroindustrial, não são suficientes para atender as necessidades e as particularidades dos agricultores que vivem em pequenas propriedades e produzem em menor escala produtos diversos.

Mas também não é desespero porque tem muita gente permanecendo no campo produzindo melhor, produzindo com mais conforto e com viabilidade. Quem são esses? São os agricultores que vêm acompanhando as mudanças. São os filhos e filhas cujos pais têm a mente aberta, confiam e apoiam novas iniciativas, novos métodos e permitem a sucessão e um jeito novo de ser colono. São aqueles que aplicam novas técnicas de produção, estão atentos aos mercados, trabalham sem depender do serviço público, são ativos e acessam os bens que trazem conforto e dignidade. São aqueles que buscam conhecimento e aplicam nas suas atividades.

Não tem outro jeito de dar independência aos produtores rurais senão pelo conhecimento. A melhor política pública de inclusão social e econômica ocorre pelo acesso ao conhecimento. Se observarmos os agricultores que melhores condições possuem no campo vamos ver que são os que se permitiram acessar conhecimento. Os melhores produtores de leite, de suínos, de aves, de hortigranjeiros, de frutas, de grãos, entre outras atividades, são aqueles que reservam tempo para se aperfeiçoarem. Dá gosto falar com esses produtores porque conhecem. Possuem argumentos para discutir situações e propor caminhos de viabilidade do que fazem.

Fortalecer as instituições como os sindicatos, as cooperativas e as associações são formas de se sustentar quando se tem fragilidades. Logo, a sustentabilidade da agricultura familiar passa pelo fortalecimento dessas instituições. O trabalho associado, além de proporcionar entusiasmo e ânimo, dá cumplicidade e esperança aos envolvidos movendo-os para as conquistas que perseguem. Fácil para quem tem mente aberta!

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