A necessidade de estudar sempre mais
Sexta, 23 de Outubro de 2015

O Brasil nas últimas décadas apresentou um grande desenvolvimento em quase todas as áreas, porém não o suficiente para suportar a competitividade internacional. Temos avanços significativos em alguns setores, dentre os quais o agropecuário. Contudo, o foco principal é na área da produção de matéria-prima que tem a necessidade de qualificação urgente sob pena de perdermos espaço para outros centros produtores.

Vamos à explicação! O país deu um salto significativo na automação, na mecanização, na introdução de genética apurada tanto na área animal como na vegetal. Estão sendo usados mais fertilizantes, mais rações concentradas, mais vitaminas, mais medicamentos, mais produtos fitossanitários. Contudo, ainda há uma defasagem enorme quanto à eficiência de tudo o que é usado. Temos desperdícios, aplicações desnecessárias, genética mal empregada, uso incorreto, subutilização e tantos procedimentos equivocados que não revertem em ganhos nas propriedades. Por isso, as queixas frequentes de que os preços são baixos, o clima não ajuda, o governo atrapalha e tantos outros ranços que até podem ser verdades em certos casos, mas sempre há um culpado pelo que não deu certo.

Cito exemplos: Os agricultores usam fertilizantes minerais, porém poucos se utilizam da análise de solo e a recomendação agronômica adequada para a necessidade das culturas. Aliás, sobre a análise de solo, temos na região um laboratório de análises que realiza entre 8 e 12 mil análises/ano considerando a análise básica, completa e a física, onde deveria ser pelo menos três vezes esse quantitativo. Sabe-se que a adubação inadequada pode provocar antagonismo de nutrientes, baixa produtividade, planta suscetível a pragas e a doenças, desperdício de dinheiro e, sobretudo “queimar” uma tecnologia.

Outro exemplo: a produção de leite no Rio Grande do Sul, que é de 10,6 litros/vaca/dia, poderia ser triplicada se houvesse a nutrição adequada dos animais. O principal problema da baixa produtividade leiteira ainda é a falta de alimento ou por alimento desequilibrado. Pergunto: quantos agricultores sabem realmente quais as exigências nutricionais de cada categoria de animais do plantel leiteiro? Adotamos amplamente a silagem, as pastagens anuais, as espécies mais produtivas, porém, ainda carecemos do manejo destas forrageiras e do acesso dos animais com critério a estes alimentos. Fornecemos muito alimento concentrado no cocho para categorias de animais de pouco lucro. A reprodução ainda é por monta natural em detrimento da inseminação artificial qualificada por programas de acasalamento. O touro imponente ou o “garaio” de ocasião prevalecem na maioria das propriedades e sempre temos um motivo justificado para o uso dele.

O que quero dizer com isso? Que devemos estudar muito ainda. Que devemos nos aperfeiçoar acessando conhecimento em todas as áreas. Do contrário assistiremos os outros produzirem melhor que nós. Sejamos nós os melhores! Vamos nos qualificar!

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