HEREDOGRAMA
Sexta, 30 de Outubro de 2015

O QUÊ DEVEMOS SABER DE NOSSA FAMÍLIA (Parte 2)

Os genes que existem no genoma humano são cerca de 25 mil e são responsáveis pela formação das proteínas humanas, ou seja, são os que moldam o nosso organismo. Quando defeituosos, geram doenças. Com isso, sabe-se hoje que grande parte das doenças são transmitidas geneticamente e, por isso, é necessário que toda pessoa faça um retrospecto de sua história familiar, pois isso ajudará o médico a fazer um correto diagnóstico.

Sabe-se também que o câncer é causado por um ou mais genes prejudiciais, chamados oncogêneses ou, ainda, que podem surgir pela deficiência de genes protetores das células, chamados genes supressores. Doenças degenerativas, reumáticas, cardíacas, diabetes e muitas outras têm forte componente hereditário.

Nos Estados Unidos já existem inúmeros laboratórios que determinam por preço compatível cerca de cem genes predisponentes a doenças. Sabedores de que genes possuímos, passamos a ter uma vida adequada e protetora para que não se adicionem fatores ambientais à tendência genética. Como exemplo, uma criança que tenha um ou mais genes predisponentes ao diabete deverá evitar o açúcar e a obesidade, que favorecem o surgimento da doença. Uma pessoa que tenha predisposição genética à pressão alta deverá evitar ao máximo o sal, bem como praticar regularmente exercícios e evitar a obesidade.

No Brasil, esses exames ainda são pouco disponíveis e os oferecidos têm preço elevado, dificultando análise de nossa genética. Podemos, no entanto, utilizar outro recurso válido e importante, que é o heredograma.

O heredograma é um gráfico que mostra nossa árvore genealógica apontando para as doenças que surgiram em nossos familiares. Para isso, é necessário que nos interessemos em saber quais as doenças de nossos antepassados e de nossos familiares são colaterais. Essa informação é de extrema utilidade para o médico chegar a diagnósticos mais precisos ou prováveis baseados nos nossos traços genéticos. Em centros médicos maiores existem profissionais, chamados geneticistas, que podem orientar a pessoa sobre o risco que a mesma tem para desenvolver uma doença ou ainda o risco que um casal tem para ter um filho com Síndrome de Down ou outras doenças.

O histórico familiar é muito importante e pode sugerir ao médico condutas que irão evitar que a pessoa tenha no futuro um câncer ou alguma doença grave. Quando não houver a capacidade de evitá-las, poderá ensinar o paciente a tê-las com menor gravidade e com maior sobrevida.

Com isso, a recomendação é de que toda pessoa procure saber quais as doenças que seus familiares tiveram, quais as causas de mortes dos familiares falecidos e também quais as doenças que seus familiares apresentam e em que idade elas surgiram. Essas informações poderão ser de extrema importância para sua vida futura.

De momento, não podemos ainda mudar nossos genes. Tem-se conseguido, em fase experimental, mudar genes de animais e plantas, protegendo-os de doenças e tornando-os mais resistentes e menos vulneráveis às doenças e fatores climáticos. Essas plantas e animais são chamados de transgênicos. Alguns estudos estão sendo feitos em pesquisas experimentais em homens, com sucesso relativo. Prevê-se que até 2020 possamos corrigir nossos genes defeituosos de maneira segura e efetiva para afastarmos as doenças a que estamos atrelados pela hereditariedade. Por isso, é recomendável que toda pessoa tenha noção clara de sua hereditariedade.

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