A polêmica do uso excessivo dos agrotóxicos
Sexta, 06 de Novembro de 2015

Novamente surgem notícias sobre o uso excessivo de agrotóxicos na agricultura. Na região já foi matéria de jornal, tema em seminários, assunto recorrente entre estudantes, entre técnicos e comunidade em geral. Na televisão, na última semana, foi tema de programa inteiro mostrando os efeitos de Norte a Sul. De fato, tanto na agricultura quanto na pecuária há a necessidade de defender as plantas e os animais dos malefícios das pragas, das doenças e das invasoras para que estes nos forneçam o máximo daquilo que precisamos. Então, tanto os animais como os vegetais precisam estar livres destes competidores para que rendam o máximo que queremos.

Qual é o problema? O problema é que vem sendo dada preferência para o controle químico das pragas, doenças e invasoras, do que outros métodos largamente estudados nos cursos de Agronomia, Engenharia Florestal e outros cursos correlatos. A sociedade como um todo vem preferindo as facilidades e a comodidade do uso de agrotóxicos do que os métodos alternativos, que também funcionam. E claro, para quem experimentou a penosidade do trabalho no campo e amargou prejuízos por pragas, doenças ou invasoras nas plantações, se valerá, sem sombra de dúvidas, do conforto do controle químico para defender a produção. Por que o controle químico e não outros métodos? Porque tudo gira em torno da facilidade, do conforto e do lucro. Não vamos ser hipócritas de pensar que quando a sobrevivência, quando a necessidade de ganhar dinheiro é premente, iremos contra os mercados. Cultiva-se, cria-se e usa-se conforme os apelos dos mercados.

São muitas as ações e tentativas de coibir os exageros e orientar para a sustentabilidade dos sistemas. Cito algumas: A formação dos Engenheiros Agrônomos já nas universidades fornece embasamento teórico/prático de, pelo menos, 23 disciplinas que na transversalidade contribuem para a sustentabilidade dos sistemas produtivos. A formação eclética do profissional que vai trabalhar diretamente no campo é premissa das universidades. O controle químico é um dos temas dentro de algumas disciplinas e não o foco principal. Outra ação é a própria Lei 7.802 de 11 de julho de 1989 – Lei dos Agrotóxicos, que veio frear, disciplinar o assunto. Posteriores a ela há inúmeros Decretos, Normativas, Portarias e etc. buscando ajustar, melhorar, disciplinar o uso dos agrotóxicos. Melhorou muitíssimo o uso dos agrotóxicos com o regramento legal. O Crea nas suas atribuições e outros órgãos de fiscalização têm feito trabalhos no sentido de fiscalizar o cumprimento das leis dos agrotóxicos. A pesquisa na engenharia genética tem selecionado e criado cultivares de vegetais mais adaptados e resistentes às pragas e doenças. Também, tem criado métodos de produção vegetal e animal mais sustentáveis. Contudo, ainda ocorrem exageros e há o desrespeito às técnicas e às leis que disciplinam o assunto e, com isso, os consumidores e os bons agricultores pagam pela minoria fora da lei. 

Comentários