Haja argumento para estimular o agricultor
Sexta, 13 de Novembro de 2015

Diante dos frequentes eventos climáticos adversos à agricultura, fico me perguntando quais argumentos são convincentes para estimular os agricultores a permanecerem no campo. Eu mesmo já manifestei que no meio rural é um bom lugar para viver e prosperar conduzindo atividades na produção animal, na produção vegetal ou na agroindústria. Discurso que há anos se repete na voz de lideranças que se preocupam com a debandada de gente do interior para as cidades. Vem tendo efeito o clamor para a permanência no campo? Não! Tenho exemplo em casa, pois de oito irmãos que somos apenas um permanece no campo e, assim mesmo, parte da renda da família deste não vem da agricultura. Meus pais e nós estamos tristes por não permanecermos no campo? Não! Creio que na maioria das famílias o sentimento é o mesmo. Os pais e familiares torcem pela felicidade e pela realização dos filhos dentro das escolhas que fizeram.

Fiz este blá-blá porque para se sustentar das atividades agrícolas ou pecuárias diante das incertezas climáticas, o que é tarefa para aqueles que gostam das lidas do campo, têm coragem e são perseverantes. Alguém gosta de viver de esperança diante de frustrações sucessivas em uma atividade? Também não! Pois é! Estamos experimentando muitos eventos climáticos adversos. Vejamos: nosso inverno foi ameno resultando em antecipação dos ciclos dos vegetais e a falta de geada não interrompeu o ciclo biológico das invasoras e culturas de resteva exigindo controle extra. A falta de frio mais rigoroso impediu a dormência adequada de algumas frutíferas (uva, pêssego, caqui, ameixa...) resultando em baixa produção. Se não bastasse em alguns locais ainda foram acometidas por granizo. O trigo que cresceu bonito, no estádio reprodutivo sofreu da geada com perdas significativas na região e, em muitos locais houve perdas também na colheita pelo excesso de chuvas. Muitas lavouras de milho implantadas no cedo também foram prejudicadas pela geada e, agora que deveria ter sol e calor a vontade para assegurar a produção, as chuvas acima da média com dias sombrios e temperaturas amenas pode comprometer a cultura. Houve granizo e chuvaradas que danificaram plantações em locais isolados. As pastagens cultivadas também sofrem revés com o pisoteio em dias de chuva além de o pastoreio ser dificultado pelo excesso de umidade o que resulta em queda da produção de leite. Inverno ameno e chuvarada na primavera têm causado perdas significativas para os agricultores inclusive agora que se intensifica a semeadura da soja. Somente os efeitos climáticos adversos e frequentes já são suficientes para pôr a prova qualquer agricultor. Nem vamos falar dos custos elevados de produção e os baixos preços dos produtos no mercado.

Então adianta argumentar para este ou aquele ficar no campo quando suas necessidades devem ser satisfeitas do resultado da produção agrícola ou pecuária e esta não aparece? Creio que não! Mesmo assim ouso dizer: coragem agricultor! Precisamos de ti.

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