A urgência de readequar as atividades agrícolas
Sexta, 20 de Novembro de 2015

Muitos avanços houve na agricultura nos últimos 20 anos. As encostas e morros que eram agricultados, hoje quase não são mais. Os solos que eram revirados constantemente e expostos à erosão passaram, na maioria das propriedades, a ter cobertura vegetal e semeadura no sistema de plantio direto. As queimadas para preparo do solo e também da palhada das restevas, que eram frequentes, já não se veem mais. A tração animal e o trabalho braçal deram lugar à mecanização. A criação de suínos e de aves foi organizada e os dejetos têm disposição disciplinada nas lavouras. A atividade leiteira também vem se profissionalizando e a fruticultura em muitas propriedades já é a atividade principal. Ficou menos gente no interior produzindo mais, melhor e tendo ótima qualidade de vida.

Longe de comparar a catástrofe que ocorreu no rio Doce lá em Mariana/MG, aqui estamos colhendo os frutos do esforço e da consciência dos agricultores, das entidades, das lideranças, dos técnicos e de tantos outros agentes que zelam pela qualidade de vida das pessoas e da natureza. O respeito ao meio ambiente, a consciência e o compromisso em deixar melhor o lugar onde vivemos é o que se vê por aqui. Claro que vez ou outra ainda há alguns que cometem deslizes necessitando os corretivos da lei, mas negligência e conivência com ações perigosas parecem não vingar por estas bandas. Mesmo que às vezes a lei nos parece rigorosa e exagerada, ela tem sentido quando bem interpretada e aplicada. Catastrófico é quando se veem tragédias por negligência ou conivência, como foi o caso da Boate Kiss e da barragem do Rio Doce restando pouco a se fazer em curto prazo. Nos dois exemplos a determinação técnica e legal foi negligenciada. A população, alheia aos porquês da lei, frequentemente se manifesta contrária às necessidades dos ritos e dos processos para a liberação de empreendimentos, que por vezes são morosos. A pressa de alguns e a inércia coletiva fazem muito mal. Uma porque se quer pular etapas e a outra porque achando que está tudo bem não se vê o perigo oculto.

O perigo oculto na agricultura vem se manifestando pela erosão nestes últimos anos de chuvas abundantes, sobretudo nas lavouras de cultivos anuais. A facilidade do cultivo de grãos pela mecanização, pelos insumos modernos e pelos bons preços está motivando a ampliação das áreas de lavoura em locais inaptos para culturas anuais. A negligência dos trabalhos de conservação e do cultivo segundo a aptidão dos solos, apostando que o plantio direto resolva o problema de erosão e de degradação das terras agricultadas, está causando desgaste em muitas áreas. É necessário um levante coletivo dos técnicos, das entidades e dos agricultores para um repensar da matriz produtiva em muitas áreas antes que seja tarde. A negligência técnica e a anestesia coletiva podem custar caro para o produtor, para a sociedade e para o meio ambiente. Faz-se necessário urgentemente um repensar da ocupação dos solos conforme a aptidão agrícola, sobretudo nas regiões de pequenas propriedades. Vamos lá!

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