Nosso trigo para o pão de cada dia
Sexta, 27 de Novembro de 2015

Com a colheita praticamente encerrada, a safra de trigo de 2015 já entra para a estatística como uma das piores dos últimos 10 anos. Foram vários os fatores que contribuíram para o fraco desempenho deste cereal no Sul do Brasil: primeiro, o desestímulo do preço, que não motivou o agricultor a cultivar esse cereal como uma opção de renda. Muitos cultivaram como uma opção de cultura de cobertura de solo no inverno, no intervalo das culturas de soja ou de milho; segundo, a semeadura foi prejudicada pelas chuvas contínuas e intensas no período recomendado, forçando o agricultor a implantar a cultura tardiamente em muitas regiões; terceiro, as geadas tardias acometeram inúmeras lavouras, causando perdas consideráveis e em muitas houve perda total; quarta, as chuvas contínuas e intensas durante todo o ciclo favoreceram as doenças e na colheita provocaram perdas significativas na qualidade do grão e também na produção.

A boa notícia é que mesmo com a frustração de safra, o consumidor não deve pagar mais caro pelo pão em função das perdas aqui ocorridas. O nosso consumo é de 12 milhões de toneladas e produzimos somente 6 milhões, portanto, importamos outro tanto da nossa produção. Acontece que a produção mundial de trigo vem aumentando nos últimos anos e hoje já se produz ao redor de 733 milhões de toneladas para um consumo de 717,3 milhões. Logo, os países mais produtores estão com estoques elevados, forçando o preço para baixo, o que para nós é favorável, embora o dólar esteja com cotação alta.

Mais um ano de frustração de safra de inverno para a maioria dos produtores. Não está sendo fácil produzir cereais de inverno com rentabilidade aqui no sul do Brasil. E olha que a pesquisa tem se esforçado para disponibilizar cultivares apropriadas para as características do clima e solo sulista. Em experimentos, há tempos que a pesquisa produz mais de 7 ton./ha. No cerrado brasileiro, os agricultores vêm colhendo em torno de 6 a 7 toneladas/ha. Mas aqui no sul, a média varia entre 2,4 – 3,5 ton./ha. O principal fator para a produção estável aqui no sul é o clima irregular no inverno e primavera. E daí não tem jeito de pôr no campo materiais produtivos e resistentes a tanta adversidades.

Para a produção no inverno recomenda-se a escolha de cultivares mais adaptadas ao local de cultivo, além de imprimir planejamento apurado para o trigo. A nutrição da cultura e o tratamento fitossanitário estão ao nosso alcance e isso sim pode ser adotado. Outras opções, embora não se foge muito à regra, é o cultivo de outros cereais tais como a aveia, o triticale e a cevada. No Médio Alto Uruguai há microrregiões que são inaptas para o cultivo, logo, não resolve muito efetuar investimentos para a colheita de grãos. O que deve sim ocorrer, e sempre, é o cultivo de espécies para cobertura de solo, e no inverno os cereais se prestam muito bem para isso. Um solo bem cuidado é um grande patrimônio para o agricultor.

Comentários