Ganhos e perdas do setor agrícola no ano de 2015
Sexta, 11 de Dezembro de 2015

Pelo terceiro ano consecutivo, a paisagem rural vem se alternando entre o verde e o tom palha, indicando que as culturas têm condições para completarem o ciclo satisfatoriamente. As chuvas abundantes perenizam córregos, banhados, sangas e tantos outros mananciais que até se houve o som de cachoeiras por todo lado. Tudo verde, grandes colheitas, bons preços e fartura. Exportações agrícolas em alta. Para a opinião pública, foi um ano bom para o setor rural diante dos números da produção agrícola que frequentemente a imprensa anuncia. Será?

De fato, a agricultura diante de outros setores da economia parece não sentir as ameaças da crise política e econômica brasileira. De um modo geral, foi um ano bom. Não faltou chuva, os preços dos produtos foram razoáveis e as produções aconteceram. No entanto, há de se fazer análises mais apuradas porque as aparências enganam. O agricultor neste ano sofreu angústias pelas situações diversas e adversas que ameaçaram o setor, a começar pela política econômica que forçou o aumento dos combustíveis, da energia elétrica, do dólar e atrás destes os insumos agrícolas, os juros, entre outros. Os custos de produção ficaram mais elevados. Com isso, a rentabilidade baixou.

Parece que o setor das carnes que se produz na região (suínos e aves) não sofreu tanto, pois o consumo interno aumentou em função de o preço do boi estar mais caro, além das exportações que permanecem asseguradas pela qualidade e esforço deste segmento. A região está bem servida de frigoríficos de suínos e aves, alicerçando investimentos e oportunizando o empreendedorismo. O leite foi um produto que angustiou os agricultores pelas fraudes. Mesmo com o trabalho eficaz dos órgãos de controle, muitos agricultores desanimaram e saíram da atividade. Contudo, os números mostram que ficaram menos agricultores na produção, mas produzindo mais e melhor. A produção de grãos teve bons preços para a soja, porém para o milho, o feijão e o trigo permaneceram aquém do necessário para conferir rentabilidade e ânimo aos agricultores. Além disso, as geadas tardias e as chuvas acometeram a cultura, prejudicando a qualidade e a colheita. A fruticultura sofreu revés neste ano. A uva não apresentou brotação e frutificação a contento pela falta de frio no inverno e em muitos locais foi injuriada pela geada tardia e recentemente pelas chuvas contínuas e intensas. A menor produção de uva está compensando pelos excelentes preços no mercado. A laranja continua perdendo espaço pela falta de rentabilidade e pela dificuldade de mão de obra para as operações. Contudo, em algumas regiões a atividade está mais estruturada e com isso há melhores ganhos.

Encerra-se um ano onde as questões como a falta de mão de obra no meio rural e a crise política e econômica brasileira podem se agravar e comprometer o crescimento que até agora a agricultura vem tendo. Vamos torcer para que isso não aconteça.

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