Chuva que traz vida e angústia
Sexta, 18 de Dezembro de 2015

Quanta chuva nestes últimos dois meses! Os registros marcam mais de 750 mm. Só na última segunda-feira choveu mais de 200 mm. O acumulado do ano ultrapassa 2.100 mm. E ainda a meteorologia prevê muita chuva até o final do mês! Certamente ultrapassará os 2,2 mil mm, indicando acumulados acima da normal climatológica, que é de 1.850 – 2050 mm anuais para a nossa região. É o efeito do “El niño”. O que fazer contra a natureza? Nestas horas ficamos impotentes! Os planos, os projetos, as recomendações se vão água abaixo! A mesma água que traz vida, quando em demasia causa perdas econômicas.

A vida se renova após cada chuva. Garante boas safras quando chove regularmente. Enchem os reservatórios, açudes, lagoas e faz fluir os rios e sangas. A chuva é um dos principais indicadores de boas safras mundo afora. Tanto é verdade que os analistas de mercado ficam de olho no clima das principais regiões produtoras. Quando as previsões são de chuvas regulares, indicam que haverá boas produções, com isso os preços das commodities (soja, milho...) baixam porque haverá mais produto no mercado. Quando há secas, indicam que faltará produto e com isso os preços sobem.

A angústia recai sobre o setor agrícola quando as chuvas são excessivas: dificulta o preparo do solo, a semeadura ou o plantio; causa erosão nas lavouras; atrapalha os tratos culturais; causa perda dos fertilizantes; prejudica a emergência ou o estabelecimento das plantas; provoca doenças e prejudica o controle fitossanitário; enfim, até produto pronto se perde na lavoura pela dificuldade de colheita. Foi o que ocorreu com o trigo meses atrás e está ocorrendo com o feijão, com o fumo, com a uva, com as hortaliças e com as frutas agora. Até a silagem de milho, se continuar assim, poderá ser prejudicada em algumas propriedades porque a colheita não se efetiva, pois o solo encharcado não dá condição de entrada para as máquinas.

O excesso de chuvas também prejudica os agricultores no escoamento da produção e na sua mobilidade, pois não há estradas que suportam tamanha chuvarada. É o leiteiro que não consegue recolher o leite no tempo certo, é a lotação que atrasa, é o carro da família que se desloca em solavancos na estrada esburacada. Preocupação dos agricultores e das administrações municipais que precisam em curto espaço de tempo recuperar as estradas.

Um ano que vai terminando com a paisagem verde e com água à vontade. Considero melhor assim, em que pese todos os transtornos do excesso de chuvas, do que a angústia da falta de água pela estiagem, como já ocorreu em anos idos. Tudo indica, conforme os prognósticos meteorológicos, que o fenômeno do “El niño” continue até março e abril do próximo ano. Um desafio para os agricultores e agentes do setor rural para administrar os efeitos do excesso de chuvas, que por vezes poderá comprometer as atividades agropecuárias causando angústias e, ao mesmo tempo, gerando vida pela abundância de água.
 

Comentários