Produzir para se sustentar e matar a fome da humanidade
Sexta, 22 de Janeiro de 2016

A humanidade vive o dilema de matar a fome de milhões de pessoas e conduzir as atividades agropecuárias com sustentabilidade. A produção de bens de consumo, entre os quais os alimentos, deram saltos de quantidade e de qualidade nos últimos anos. Dentre tantas demandas, os governos investem o que podem para estimular a produção, os estoques e a distribuição. Não deixar faltar alimentos (o chamado desabastecimento) é uma questão estratégica de soberania.

Parece fácil, mas as ações envolvidas são complexas e quase sempre ocorrem por relações comerciais: alguém produz e vende, alguém compra e estoca, alguém industrializa e distribui. Envolvem dinheiro, legislações, acordos comerciais e interesses de categorias, mercados e governos. Aquele que produz tem custos e produz porque precisa ter ganhos. Assim é o produtor rural. Ele produz primeiro por opção/vocação, e segundo para se sustentar e sustentar os seus dependentes. Ele desprende trabalho, tem custos e espera recompensa do esforço através do preço de venda.

A solidariedade sempre é forte entre os produtores e, quando chamados à colaboração, são generosos. Contudo, sempre a solidariedade tem limites. Qualquer cidadão colabora até onde pode. Aí entra a ação dos governos com as políticas públicas de compensação: adquire produtos com vantagens para os produtores e distribui com vantagem para quem necessita. Quem paga? O governo, com os impostos que a rigor são recolhidos de quem produz.

Nos últimos anos, os ganhos dos agricultores estão cada vez mais estreitos. As complexas relações comerciais produzem efeitos sobre os produtores que nem todos são capazes de administrar. Tem aqueles que se atualizam, são criativos, se incluem nas novidades tecnológicas, aproveitam as oportunidades e conseguem ter ganhos. Esses prosperam! Sugiro para essa categoria que tenha a assistência técnica cada vez mais próxima formando grupos por especialização.

Há os que têm dificuldades de compreensão das relações comerciais e tecnológicas que acabam ficando para trás. Para esta categoria, as políticas públicas nem sempre são suficientes para mantê-los na atividade. Choro, lamento, culpados (tempo, clima, preço, falta de apoio...) normalmente são usados como válvula de escape. Não tem jeito! Se não mudarem as posturas trabalhando colegados, fortalecendo as associações, sindicatos, cooperativas e prestarem atenção na assistência técnica, somente farão para a sobrevivência. Estamos em tempos de mudanças profundas: por um lado a necessidade de matar a fome da humanidade e por outro a luta para manter os produtores na atividade. Um grande desafio!
 

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