Bons preços dos produtos, mas pouca rentabilidade
Sexta, 29 de Janeiro de 2016

Começamos um ano cheio de expectativas no setor agrícola. Dentre as principais estão a normalização das chuvas, a boa safra das culturas de verão, os bons preços dos produtos, a estabilização da economia e a redução dos custos de produção. A expectativa de investimentos para melhorar as estruturas da região continua, embora seja de conhecimento de que, se nos anos “gordos” não foram efetuados, dificilmente neste ano de penúria o serão. Sabe-se que a precariedade das estruturas de apoio acaba onerando a produção agrícola, que é a base econômica regional. Forte desejo para que nesta região de predominância da agricultura familiar e que ainda continua desfavorecida pelos governos, pelo menos o que se fizer da porteira para dentro que tenha resultado positivo.

Mas não foi bem assim que o primeiro mês do ano se apresentou. A “torneira fechou” pra valer e em 26 dias não choveu. As temperaturas mínimas foram de 19 graus e as máximas chegaram a 34. Temperaturas altas. Claro, verão!

As pastagens se fragilizaram, a produção de leite começou a diminuir, a soja deu sinal de falta de água, morreram peixes em muitos reservatórios e a semeadura da safrinha atrasou. Contudo, a colheita do milho foi favorecida. Milho de porte bonito, porém dentro da expectativa de rendimento menor que o ano anterior pelas condições de chuva que passou: de 80 a 120 sc/ha. Produção menor, melhores preços no mercado.

Por que não plantei mais? Se tivesse produzido bem, “forrava a guaiaca”! Manifestações compreensíveis para quem trabalha com riscos. Assim foi com a uva, com o feijão, com o fumo e outros produtos. Pouca produção e altos preços de mercado. Para quem olha de fora, parece que o agricultor é privilegiado. Preços compensadores! Mas não é bem assim. Os custos de produção estão altíssimos. O agricultor paga aqui, paga ali e sobra pouco ou quase nada. Sem contar que a maioria dos agricultores possui um comprometimento de renda alta com investimentos.

Se nos anos bons a necessidade de gestão nas propriedades era primordial, agora é uma questão de sobrevivência. Necessária nas médias e grandes propriedades e decisiva nas propriedades de economia familiar. Os preços altos de produtos (soja, milho, fumo, feijão) é um atrativo para a migração de uma atividade para outra. Um perigo no momento, porque tudo está vulnerável em função da economia. A gestão da propriedade mais do que nunca merece atenção. A técnica da produção é fundamental, mas no momento organizar o sistema de produção e maximizar os investimentos efetuados é questão de sobrevivência.

Tudo deve ser bem planejado. Considerar as reais possibilidades de ocorrência de frios intensos e mais cedo no outono/inverno e dos efeitos de La niña para a primavera/verão, como algumas previsões climáticas indicam.

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