A agricultura do capital e da tecnologia
Sexta, 26 de Fevereiro de 2016

As feiras e exposições agropecuárias estão dando o tom de como o agronegócio vem se firmando: através do capital e da tecnologia. O necessário para prosperar nas atividades. Já foi da posse da terra, da mão de obra, do desbravamento de novas áreas, dos corretivos e fertilizantes, entre outros fatores determinantes para a produção. Os tempos mudaram e novas facetas surgiram para viabilizar a agricultura e a pecuária. A complexidade das relações econômicas e comerciais exige mais dos produtores. 

O capital se expressa pelas máquinas, pelos equipamentos, pelos veículos, pelas estruturas que viabilizam a armazenagem, a reserva e o manejo da água (irrigação, piscicultura), a criação de animais (pocilgas, aviários, currais de confinamento de bovinos), a energia elétrica de qualidade, as comunicações (telefone móvel, internet) e também o capital financeiro (nas aplicações, na poupança, na conta corrente) que dá lastro e garantias para acesso a financiamentos.

A tecnologia é o que qualifica os meios de produção maximizando os ganhos em produtividade, conforto, tempo, escala de produção, segurança, qualidade de produto, redução de perdas entre outros atributos.  Como exemplo cito a genética adaptada dos cultivos e das criações, os fertilizantes melhor balanceados, os métodos de condução e manejo das lavouras e dos animais, o controle das pragas e das doenças, entre outros. Capital e tecnologia majoritariamente fazem o nosso agronegócio ser pujante perante o mundo. Agronegócio que gera comida, fibras, energia, madeira e outros bens de consumo a partir das pequenas, médias e grandes propriedades. Não há distinção no produto gerado, mas nos resultados para quem produz. Neste cenário se viabiliza quem tem habilidade para acessar o capital e a tecnologia, por si ou por meio de parcerias, associações e cooperativas. O conhecimento e o domínio da tecnologia ocorrem pelo acesso as universidades, aos cursos profissionalizantes, as empresas e suas parcerias, aos órgãos de assistência técnica e de consultoria, pela participação em cursos, palestras, seminários, feiras e exposições, tudo isto abundante na região. Basta ter mente aberta e querer. Já o capital, um bem determinante, é mais restrito. Vejo dificuldade para as pequenas propriedades se viabilizarem adotando algumas atividades como a produção de grãos (soja, milho, trigo, aveia, feijão), cana de açúcar, madeira, gado de corte entre outros, porque precisa de capital considerável em estruturas. Contudo, é possível se viabilizar na suinocultura, na avicultura, na fruticultura, na produção de hortaliças, na produção de leite, nas agroindústrias porque já tem histórico de parcerias. Isto se for aplicado capital e tecnologia, como muitas propriedades já o fazem.

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