A agricultura que encanta e que também desafia
Sexta, 04 de Março de 2016

A agricultura e a pecuária são encantadoras por si pelas possibilidades e pelos potenciais. Também é desafiadora pelo que possui de adversidades que devem ser enfrentadas para garantir as produções. A cada dia que passa são noticiadas novidades que encantam e outras que preocupam. Cenários que envolvem uma vasta cadeia de serviços, indústria, comércio, gerando riquezas que é repartida entre os diversos setores. Diferente da agricultura de subsistência (que também tem seu valor) a agricultura empresarial vem dinamizando a economia. Isto que no Brasil mal a pena chegamos a 65 milhões de hectares em uso (14%). Ainda temos, segundo estudos, 385 milhões de hectares disponíveis. Nenhum país tem tanta área disponível como o nosso.

O mundo está de olho nas condições favoráveis para a produção que o Brasil possui. Segundo dados da FAO, as projeções para o ano de 2050 é de que a população mundial será de 9,1 bilhões de pessoas. Hoje é de 7,3 bilhões. Os analistas preveem que a renda per capita será 84% superior a atual. Maior renda, maior consumo. O mundo terá que produzir mais. Além de tudo, para cada dois habitantes urbanos, terá um rural. Menos gente no campo produzindo mais e melhor. Já está acontecendo isso. As produtividades estão cada vez maiores. Produzimos um frango de 3 kg em 42 dias. Um suíno de mais de 100 kg em pouco mais de 4 meses. Na região já houve produtor que obteve 230 sc/ha de milho. E, pasmem: um agricultor americano ainda em 1999 produziu 411 sc/ha. Na produtividade de soja também geramos recordes na região com produtores obtendo mais de 80 sc/ha. Contudo, com irrigação, um produtor de Minas Gerais na safra passada colheu 113 sc/ha e na atual estima 150 sc/ha. Aí está o resultado de muitas áreas de apoio desde a pesquisa dos insumos, das máquinas e assim por diante.

As necessidades serão grandes por causa da população que crescerá. Estima-se que o consumo de carne em 2050 será de 64 kg/hab./ano, sendo que hoje é de 39 kg/hab./ano. Só para produzir a demanda de carnes, teremos que aumentar em 148% a produção de soja e em 117% a produção de milho. Não é somente solo que se precisa, mas também tecnologia e estrutura de apoio para que o custo de produção não consuma o entusiasmo do agricultor. Tem que sobrar renda para quem produz. Hoje produzimos com um custo altíssimo. A soja é produzida a um custo 40% superior a dos Estados Unidos e de 180% a da Argentina. E, um dos componentes da elevação dos custos é a carga tributária na cadeia de produção que, por exemplo, eleva os custos da soja em 27%, trigo em 26%, arroz e carne bovina em 30%. Não é só isso. Temos as ameaças das pragas que se alastram e preocupam. Nos últimos 10 anos 35 pragas novas surgiram no Brasil, principalmente insetos e invasoras. Combate que aumenta custos. Maior custo significa menor renda.

A renda elevada dos produtores é um dos motivos de mantê-los na atividade e, com isso também, garantia que a humanidade terá satisfeitas suas necessidades, pelo menos de alimentos. Essa é a agricultura dos encantos e dos desafios. Arte, ciência e tecnologia.

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