O aumento dos contrastes no setor rural
Sexta, 18 de Março de 2016

Estamos vivenciando contrastes no setor produtivo rural. De um lado, uma agricultura e uma pecuária que se desenvolvem a passos largos, fruto da incorporação das modernas tecnologias que saem dos laboratórios e se convertem em resultados positivos no campo. De outro, uma agricultura acanhada e baseada em práticas ultrapassadas que não trazem renda suficiente e conforto para quem trabalha, nem alimento de qualidade e em abundância para quem consome. Para uns, uma agricultura que se sustenta, se perpetua e progride gerando grande quantidade de produto viabilizando a propriedade e o produtor. Para outros, uma agricultura que se arrasta na produção, na qualidade e na quantidade e, por isso, penalizada pelos mercados não viabilizando o produtor e desestimulando os sucessores.

Para quem está permanentemente em contato com o setor rural é fácil compreender o exposto. Mas também não é de difícil compreensão para quem é de outras áreas, bastando acompanhar o noticiário e comparar com a região. Podemos ver aqueles que estão se viabilizando e aqueles que têm dificuldades e terão de deixar o campo por alguma razão. Não se trata somente de tamanho de propriedade ou capital investido, mas sim de inovação tecnológica. Não importa a atividade, podendo ser ela de produção de grãos, produção animal, hortaliças, frutas, leite ou outras.

Claro que pelo volume de produção e pelo impacto positivo na economia nacional despontam as tecnologias para a produção de grãos, que está tornando a balança comercial positiva. Estima-se que serão produzidos 211,3 milhões de toneladas de grãos neste ano. Uma produção 0,9% superior à de 2015. Colabora para o incremento das safras a tecnologia de produção e a tecnologia de gestão da atividade. A gestão diz respeito à maximização do que há disponível para a produção, entre os quais a terra, o capital, o maquinário e a mão de obra. Aqui já se observam os contrastes daqueles que têm eficiente gestão e daqueles que produzem por produzir. Como se sustentar plantando grãos em pequenas áreas se o ponto de equilíbrio está ao redor de 150 hectares de produção? E olha que são muitas as propriedades que cultivam grãos em pequenas áreas, com máquinas obsoletas e em áreas inaptas para as culturas anuais. As atividades devem ser adotadas de acordo com a aptidão da propriedade. Temos belíssimos exemplos na produção leiteira, na produção de suínos, de aves, de frutas, de hortigranjeiros, de agroindústrias, entre outras. Propriedades pequenas com atividades altamente tecnificadas, que trazem renda e conforto para o produtor.

A afirmação de que a agricultura em pequena escala ou familiar é que põe o alimento na mesa dos brasileiros está em perigo. Ou será que não? Onde está o feijão que era produzido nas pequenas propriedades? Os produtos de subsistência das propriedades? A cenoura, a cebola, a moranga e outras hortaliças que eram tipicamente de produção em pequenas propriedades agora vêm de Goias, Minas Gerais, de áreas de produção de mais de uma centena de hectares. E nós produzimos grãos que são típicos de grandes propriedades em áreas diminutas e, em alguns casos, ainda trilhados com o batedor. Contrastes!

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