O CAMPO QUE GERA RIQUEZAS PODE SER PENALIZADO AINDA MAIS
Sexta, 01 de Abril de 2016

A colheita de soja, uma das principais culturas que move o campo e a economia nacional, se intensifica com anúncio de produção recorde. Serão mais de 101 milhões de toneladas sendo que o RS deve contribuir com 16 milhões, gerando ao redor de 19,3 bilhões de reais para a economia gaúcha. As exportações brasileiras deste grão atingirão 57 milhões de toneladas. Um recorde, pois na safra anterior exportamos 53 milhões de toneladas. O milho também tem previsão de produção de mais de 86 milhões de toneladas, somadas a safra e a safrinha. Com isso, um recorde de produção de grãos é previsto para o Brasil, pois serão ao redor de 211,3 milhões de toneladas. Mas não é só isso. Nossa produção avança também nas carnes (frango, suínos e boi), leite, frutas e outras culturas que aqui não se cultivam, tais como o café, a cana de açúcar, o algodão, entre outros. Interessante repetir que os agricultores produzem e geram riquezas mesmo penalizados com o custo de produção elevadíssimo. Além do custo, as intempéries frequentemente assustam e põem a perder uma safra inteira num piscar de olhos. Mesmo assim, nossos agricultores geram riquezas e batem recordes sobre recordes de produção.

Na região somos bons na produção rural. Poucas regiões do país produzem uma diversidade de produtos como nós. Produzimos soja, milho, feijão, fumo, trigo, frutas, hortaliças, leite, frango, suínos, bovinos e começamos a ser referência também na industrialização de carnes de suínos e de frango, além das agroindústrias familiares. Produzimos e transformamos grande quantidade de produtos que são consumidos aqui e também exportamos para outras regiões, ajudando a combater a fome e a gerar riquezas para o país.

Pois bem! Já disse que produzimos com um custo maior que outros países e que as intempéries nos assolam. Agora, com o aprofundamento da crise política e econômica brasileira, nossos agricultores são ameaçados na manutenção de algumas conquistas. Se a balança comercial é positiva, é porque o setor rural contribui grandemente com isso. Então nossos agricultores devem ser respeitados, e os benefícios conquistados devem ser mantidos e ampliados. Espera-se do governo isso. Por isso, acho oportuno que os agricultores se manifestem contra o desmonte dos apoios que vinham tendo. O movimento “desperta, povo trabalhador” é um grito para que o campo mereça respeito e, diante de tantas dificuldades e angústias para a produção, pelo menos sejam mantidos os direitos previdenciários do segurado especial, os serviços de saúde justa e de qualidade, a segurança pública rural e urbana, o crédito habitacional rural, se implante o pagamento de serviços ambientais, se repudie a volta de impostos como a CPMF, se retome e fortaleça o crédito fundiário e se tenha mais políticas públicas agrícolas, além de solicitar firmeza no combate da corrupção. Um grito para que aqueles que produzem riquezas não sejam penalizados ainda mais.

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