A produção leiteira continua sendo oportunidade na região
Sexta, 22 de Abril de 2016

Dentre tantas alternativas que são viáveis para as pequenas e médias propriedades está o leite. A atividade por si se adapta muito bem para a agricultura familiar em que pese a necessidade de escala e qualidade da produção. Mas o que angustia os produtores mesmo são os custos de produção e os preços instáveis do leite.

No último mês o preço do leite vem aumentando sensivelmente para os produtores em decorrência da baixa oferta do produto no mercado brasileiro. É neste momento que a angústia se estabelece, porque se percebe que é um fator interno e momentâneo, reflexo do desestímulo para a produção de muitos agricultores, pelos preços reduzidos e do elevado custo dentro da atividade, que ocorreram de um tempo para cá. Hoje os preços são melhores, mas os agricultores trabalham com um custo de produção 21,5% maior que no ano de 2015. Se for comparada a relação de troca, em fevereiro/15 eram necessários 31,39 litros de leite para adquirir 1 saco de milho, hoje são necessários 41,73 litros para adquirir a mesma quantidade. Já um saco de mistura (70% milho + 30% farelo de soja) se comprava com 44,10 litros e hoje são necessários 47,1 litros. Apesar do preço de 60 kg de farelo de soja ter baixado de 73 para 60 litros de leite, a ração continua muito cara pelo alto preço do milho, pois este é o componente principal da mistura.

Os estoques elevados e o consumo reduzido de lácteos em mercados consumidores tradicionais estão desacelerando a produção em muitos países. Em Portugal, o fim das cotas de aquisição da União Europeia e o embargo Russo estão inviabilizando em torno de 75% dos produtores. Porém, a produção na Nova Zelândia aumentou significativamente em função das chuvas, provocando o aumento das exportações. E em muitos países produtores de petróleo, que eram grandes compradores de leite, no último ano as aquisições ficaram reduzidas pelos baixos preços do petróleo a nível internacional.

Este “reboliço” no consumo e no mercado pode trazer ganhos para os produtores brasileiros porque ações governamentais estão sendo tomadas para favorecer a atividade. Uma delas é o estabelecimento do preço mínimo do leite, cujo projeto de lei da câmara nº 215/15 está tramitando no Senado e prestes a ser concluído. Se aprovada esta lei, o governo poderá efetuar aquisições para estoques e para os programas oficiais pagando um preço mínimo. Será um alento para os agricultores, que terão assegurado seus ganhos em tempos de crise. Outra ação importantíssima é a promoção do consumo de lácteos que o setor se articula em fazer em países do Oriente Médio, África, EUA e Rússia. A meta é exportar para essas regiões o equivalente a 825 milhões de dólares. Além disso, a demanda brasileira precisa ser suprida e aquilo que importamos da Argentina, do Uruguai e do Chile, que no mês de março/2016 foi 124% superior a do mês de fevereiro deste ano, pode ser produzido aqui. Portanto, com planejamento a atividade é uma excelente alternativa pelas perspectivas que se apresentam.

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