MILHO: BOM NEGÓCIO PARA A PRÓXIMA SAFRA
Sexta, 29 de Abril de 2016

Estamos no final de abril, período em que se conclui a colheita do milho aqui no Sul e se fica na expectativa da safrinha do Centro Oeste, que é o maior produtor brasileiro deste grão. O milho, tão valorizado nos últimos meses, é fundamental na alimentação humana e responsável pelo sucesso de outras cadeias que geram muita riqueza, como é a do suíno, do frango e do leite. A produção mundial deste grão é da ordem de 972,1 milhões de toneladas contra um consumo de 970,8 milhões de toneladas. Os maiores produtores (em milhões de toneladas) são os EUA (345,5), a China (224,6), o Brasil (78,0), a União Europeia (57,5) e o restante dos países produzem juntos outras 260 milhões de toneladas. O grão é tão importante que quando há excedentes, os governos adotam políticas de formação de estoques, através de aquisições por preços mínimos, para que os agricultores tenham melhor remuneração e permanecem estimulados na atividade. Outro objetivo da formação de estoques é garantir o abastecimento em períodos críticos. Hoje, os estoques mundiais são da ordem de 208,9 milhões de toneladas, sendo que só a China tem 109,5 milhões de toneladas de reservas (maior estoque mundial) e, o Brasil tem ao redor de 6,5 milhões de toneladas. O milho tem aplicações múltiplas: ração animal (65% da produção), alimentação humana (5%) e o restante para usos na indústria (etanol, óleos, espessantes, colas, polímeros, embalagens, componentes automobilísticos, cosméticos, tintas, remédios entre outros). Considerado o rei dos grãos, tem merecido destaque nas pesquisas nos últimos anos. Hoje é uma das culturas que mais é estudada. As técnicas de melhoramento genético possibilitam a adaptação do cultivo em praticamente em todo o território nacional, além de conferir qualidades na composição do grão, tais como o aumento da proteína, da taxa de óleo, de aminoácidos, de vitaminas e etc. Para o leigo, as lavouras são todas iguais e aparentemente é uma planta simples de manejo. Em alguns aspectos sim, mas quando se deseja produtividade aí precisa levar em consideração as tecnologias abrigadas na genética e que exigem manejo particularizado para o local onde o cultivo é recomendado. Só para se ter ideia do que significa isso, para o Rio Grande do Sul tem recomendadas ao redor de 500 cultivares de milho. Então, para o leigo tudo é milho, mas para o técnico e para o agricultor são 500 possibilidades de escolha. Genética que se traduz em tecnologia de qualidade e de produção, que exige conhecimento para formar e conduzir a lavoura. Diante da complexidade de alinhar a genética às condições locais e às previsões de adversidades climáticas, o agricultor dá preferência para o cultivo da soja, que é um pouco mais rústica e barata na implantação e manejo. Resultado: faltou milho no mercado! Preços elevados que deverão se manter para a próxima safra. Perspectiva de bom negócio para a atividade.

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