Sinalização de recursos e bons preços para a próxima safra
Sexta, 06 de Maio de 2016

A turbulência econômica e política que assola o país surte um certo efeito favorável para a próxima safra agrícola. Diante do quadro de indicação de impedimento da continuidade do atual governo, a presidente se antecipou em 45 dias no lançamento do Plano Safra da Agricultura Familiar e do Plano Agrícola e Pecuário para a safra 2016/2017 em relação ao ano passado. Pareceu-me satisfatório o volume de recursos (30 bilhões de reais) e as condições de juros reduzidos para alguns segmentos e atividades para a agricultura familiar. Conforme divulgou a imprensa, produtos que integram a cesta básica, como arroz, feijão, batata, trigo, leite e atividades como a pecuária leiteira, apicultura, piscicultura e criação de ovelhas e cabras, terão juros de 2,5% ao ano. Os limites de crédito para custeio, por operação, passaram de R$ 100 mil para R$ 250 mil para a nova safra. Já nas contrações de investimento, os valores aumentaram de R$ 150 mil para R$ 330 mil. Para o seguro agrícola, será possível cobrir os valores em até 80% da renda bruta esperada e o limite para cobertura do seguro foi mantido em R$ 20 mil. Se terá efetividade já é outra história, visto que entram em jogo não só os recursos de apoio, a formação das lavouras e a implantação de atividades, como também a tecnologia, o clima, os mercados dos insumos, sementes e demais componentes necessários às atividades. Contudo, já é um sinal de apoio a esta classe trabalhadora que conduz o país a ter a balança comercial positiva em detrimento a outros segmentos que sofrem com os revezes da economia e da política. A antecipação dos recursos e das condições de acesso aos financiamentos favorece os agricultores para o planejamento das atividades. É certo que a antecipação do lançamento do plano safra está se constituindo em um ato político de concessão de agrados que o Planalto lança mão, diante do eminente e inevitável impedimento de continuidade do governo. Ainda tem um caminho longo até que os recursos cheguem às agências bancárias e os agricultores se habilitem ao crédito. Contudo, os agricultores devem se antecipar no planejamento das atividades construindo os projetos e juntando a documentação necessária para levar até o banco no momento solicitado. Não esquecer que, para aqueles que não efetuaram o Cadastro Ambiental Rural – CAR, poderá haver restrições no acesso aos financiamentos.

Dinheiro sinalizado pelo governo, resta saber se os produtos agrícolas terão preço compensador. Tudo indica que sim, pois há demanda mundial. Por outro lado, há fortes indicativos de sofrermos os efeitos climáticos da “La niña” com irregularidades de chuvas, geadas tardias e, sobretudo, com chuvas abaixo da média histórica já para a primavera/verão. Embora ainda no campo das previsões seja prudente o agricultor lançar mãos do planejamento para enfrentar situação climática adversa, pois poderemos ter preços compensatórios dos produtos, porém termos produções reduzidas.

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