Cultivo do trigo pode ser bom negócio
Sexta, 13 de Maio de 2016

Oficialmente estamos no período apto para a semeadura do trigo. Portaria de Zoneamento Agrícola de Risco Climático indica o melhor período de cultivo de 1º de maio à 20 de julho considerando como crítico a deficiência hídrica ao longo do ciclo, o excesso de chuvas na colheita e a ocorrência de geadas no espigamento.

O trigo é uma das culturas mais antigas que se têm registros iniciando o cultivo no Egito e Iraque há 10.000 anos. Foi e continua sendo o cereal mais cultivado no mundo e se constitui, ainda hoje, no principal alimento humano. O consumo per capita mundial (farinha e misturas) é de 67 kg, sendo que na Europa vai a 110 kg/hab./ano. No Brasil consome-se ao redor de 40 kg per capita. A produção mundial é da ordem de 733 milhões de ton. e o consumo gira em torno de 708 milhões de toneladas. Os principais produtores, em milhões de ton., são a União Europeia (136), a China (115), a Índia (81), os EUA (60), a Rússia (41), Austrália (25) e o Canadá (23). O Brasil produziu, tão somente, 5,5 milhões de ton. no último ano frente a um consumo de 10,2 milhões de ton.. Portanto, importamos ao redor de 6 milhões de ton. anualmente. O mundo produz muito trigo e, a cada ano a produção aumenta ainda mais. Os estoques mundiais são da ordem de 239 milhões de ton. e do Brasil são próximos de 1 milhão de ton. A produção do cereal elevada no mundo faz com que o preço fique baixo no mercado internacional forçando os governos a elevar os estoques.

Estima-se que será cultivado, este ano no Brasil, ao redor de 2,1 milhões de hectares, contra 2,7 milhões na safra passada. A produtividade media do trigo no mundo é de 50 sc/ha sendo que na Europa, em anos bons, se produz em média 100 sc/ha. A média brasileira é de 46 sc/ha. Porque não se produz mais trigo no Brasil? Primeiramente porque não há uma política arrojada de Estado para a pesquisa resolver os gargalos da adaptação do trigo às condições adversas que temos. Segundo porque não havendo política de pesquisa desenvolvendo materiais adaptados e produtivos, os agricultores amargam frustrações sucessivas pelas condições climáticas adversas. Consequentemente, o grão que aqui se produz é de baixa qualidade industrial e, por isso, de baixo preço o que desestimula o agricultor. Apesar disso, cenário otimista se vislumbra para esta safra, pelo menos pro Sul do país, pelas perspectivas dos efeitos de “La niña” na primavera (chuvas abaixo da média) o que dará melhor qualidade ao grão e, também melhores produtividades. Estima-se um bom preço, mesmo se for para o consumo animal como alternativa ao milho. Por isso, além da cobertura de solo e a rotação de cultura, o cultivo pode ser uma opção rentável. Recomenda-se fazer as contas e plantar trigo porque há indicativos que será um bom negócio.

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