O frio que castiga ajuda a agricultura
Sexta, 17 de Junho de 2016

Já não experimentávamos temperaturas tão baixas há tempo. Por vários dias consecutivos foram registradas temperaturas negativas. Frios intensos à noite, geadas ao amanhecer e mesmo com dia ensolarado as temperaturas não se elevavam. Nos últimos anos, o período do outono/inverno não era tão rigoroso como está se mostrando nesse. Na própria conversa com agricultores havia a referência de que em invernos recentes nem as “batateiras” eram danificadas pelo frio. As práticas agrícolas com as culturas de verão avançavam inverno a dentro. Muitos afirmavam: “o frio não faz nada”. Algumas vezes a referência era: “aqui o frio é fraquinho”. Pura imprudência em uma região de clima temperado. Imprudência em retardar os cultivos de verão, aventurando que os ciclos biológicos se completem sem danos pelo frio. Embora estejamos numa região de altitudes médias a baixas e tenhamos uma riqueza de áreas ribeirinhas com microclimas mais quentes, vale salientar que estamos no sul do Brasil. O Sul do Brasil se caracteriza por ter um clima temperado com estações definidas. Agora estamos chegando à estação fria. Período em que as culturas de verão não suportam o frio. Nem as culturas e tampouco algumas espécies invasoras. Por isso, o Ministério da Agricultura anualmente edita Portarias de Zoneamento Climático de Risco para as culturas agrícolas. Essas Portarias indicam o período de semeadura de cada cultura comercial para evitar riscos de perdas por questões climáticas adversas considerando médias históricas. Uma ferramenta a serviço dos agricultores para evitar perdas. Por que retardar plantios, então? Vale aqui salientar que está sendo prática corrente o cultivo de forrageiras perenes tropicais na nossa região. Influência clara das propagandas televisivas de emissoras do Centro-Oeste do país que alcançam a nossa região. Forrageiras que vingam muito bem no verão e, nos anos que não faz inverno rigoroso, até permanecem verde no período frio, porém com baixa capacidade digestiva e nutricional. O que se percebe quando o inverno é rigoroso? Essas forrageiras secam e os animais ficam prejudicados na alimentação. Caso típico que já se observa nesta semana nas encostas e baixadas em função das geadas. Forrageiras do tipo braquiárias, Jiggs, Tifton, entre outras, como aposta que suportariam o inverno e foram fortemente danificadas pela geada, ficando o gado sem pasto, necessitando de fornecimento de silagens, feno ou rações concentradas, o que elevou o custo da atividade. Muitos agricultores têm a prática da sobressemeadura com aveia ou azevém nos gramados. Prática louvável e que garante, numa mesma área, ter no inverno e no verão forrageiras de qualidade. Contudo, o inverno não é só rigor, mas também benefício para retardar, interromper ou impedir a perpetuação de plantas invasoras, pragas, doenças e as próprias culturas comerciais cujas sementes se perdem na colheita e nascem, perpetuando problemas para as próximas safras. As geadas trazem benefício para a agricultura, sobretudo para aquelas propriedades que se planejam e consideram os ciclos biológicos de acordo com as estações do ano. O frio que castiga é o mesmo que traz benefícios para a agricultura.
 

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