Preços agrícolas em alta e incertezas
Sexta, 24 de Junho de 2016

Os agricultores há tempo não experimentavam uma valorização dos produtos tão expressiva como os da última safra. Tudo em função da desvalorização do real e das condições climáticas adversas. No mês de maio, o milho apresentou uma valorização de 107,1% em relação a maio/2015, a soja 27,9% e o leite 14,3%. Esses três produtos, estando entre os principais da região, trouxeram um alento para os agricultores. No entanto, de carona também trouxe a alta dos insumos para as lavouras da próxima safra e das rações, que são alimento para os suínos, as aves e o gado leiteiro. Euforia de uns e angústia de outros. E os produtos agrícolas continuam com preços valorizados, estimulando os produtores a capricharem no planejamento da próxima safra. Por outro lado, o crédito agrícola, que logo começa a ser liberado, teve o juro aumentado em suas faixas de enquadramento, mas ainda em patamares suportáveis pela produção. Contudo, as exigências para a liberação dos recursos exigem projetos melhor qualificados o que ensejem melhor planejamento dos empreendimentos e a observância das melhores técnicas para a produção.

Se de um lado as perspectivas dos preços dos produtos continuarão estimulantes, de outro são as previsões climáticas que contribuem para a angústia dos agricultores. O fim do outono e o início do inverno, que vem se apresentando com temperaturas baixas, dão indicativo de que poderá haver geadas até a primeira quinzena de setembro, prejudicando o estabelecimento do milho. Também há indicativos de chuvas abaixo da média na primavera e no verão, o que pode comprometer além do milho, a soja e as pastagens. Ainda, as condições climáticas estão ao nível de prognóstico, porém como está alicerçada na ciência da meteorologia, há fortes chances que os fenômenos adversos para a agricultura se confirmem.

Quanto à suinocultura, que no primeiro semestre foi turbulenta em função dos altos preços do milho e da soja, começa a ter alento pela entrada de milho da safrinha o que pode reduzir o custo da ração. Outra perspectiva de melhora se deve pelo aumento do consumo da carne pela chegada do frio e pelas exportações que se avolumam prometendo encerrar o ano com recordes de vendas no mercado internacional.

Fora as questões de mercado e clima que são cíclicas a angústia maior dos agricultores provem da falta de mão de obra para as operações agrícolas e pecuárias. Esta sim parece ser irreversível na maioria das propriedades. Cenário que muda profundamente o perfil das propriedades rurais em função das atividades que vem sendo organizadas conforme a mão de obra e pelas maquinas e equipamentos disponíveis. Parece que pouco poder tem os apoios externos em frear ou reverter o quadro uma vez que são decisões pessoais e da família. Tempo de mudanças para muitos, fortalecimento para outros e angústias para alguns.
 

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