MENOS GENTE COM FOME EM PARTE DO MUNDO
Sexta, 08 de Julho de 2016

A tecnologia tem contribuído decisivamente para o aumento da produção de alimentos nos últimos anos. E quando se fala em tecnologia, refere-se a saberes aplicados em múltiplas áreas, como a genética, a nutrição, a mecanização, o controle de pragas e doenças, o manejo do solo e da água e tantos outros conhecimentos. É notório o aumento das produções em que pese a diminuição da mão de obra no campo.

Com certeza, a causa da eficiência produtiva vem do acesso das pessoas ao conhecimento e aos insumos e estruturas de apoio disponíveis. A decisão dos governos em facilitar os jovens a frequentar cursos universitários e em disponibilizar programas de fomento à produção agrícola vem dando resultados. Mas não é apenas uma decisão do governo brasileiro, e sim de uma ordem mundial capitaneada pela ONU por meio da FAO – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura. O propósito da ONU é diminuir a pobreza e a fome no mundo até 2030 a níveis sustentáveis. Para tanto, estima-se que serão necessários investimentos em torno de 160 dólares/ano/pessoa em nível de vulnerabilidade.

Além disso, outras providências devem ser adotadas, tais como a diminuição do desperdício de alimentos, políticas públicas de regulação e de formação de estoques, educação alimentar, estímulo à produção de subsistência, entre outros. Nessa linha, a FAO divulgou relatório nesta semana apontando que os países da America Latina e Caribe caminham para a autossuficiência de todos os produtos agrícolas e podem erradicar a fome ainda em 2025. O relatório aponta o crescimento de produções como o da soja, que terá um aumento de área cultivada em 25% nos próximos dez anos, o milho em 30% e a produção de carnes em 25%. Mostra também que o consumo de milho e trigo ficará em torno de 54 kg/hab./ano, de carnes, que hoje é de 58 kg/hab./ano a nível global, aumentará entre 6% e 10% na próxima década. O consumo de azeite também terá incremento, assim como o açúcar, que terá uma demanda de 45 kg/pessoa/ano (o dobro do consumo mundial); com isso, aumentarão também os problemas nutricionais de obesidade, sobrepeso e outras implicações da saúde.

O relatório da FAO faz referência à vontade política de os governos quererem erradicar a pobreza e também da contribuição da ciência para o aumento das produções tanto animal como vegetal. A publicação se alinha a pelo menos duas notícias de impacto do último mês, as quais apresentam a informação de que 109 Prêmios Nobel acusam o Greenpeace de “crime contra a humanidade” por atacar transgênicos, especialmente o arroz dourado, que através da técnica da transgenia foi possível aumentar os níveis do precursor da Vitamina A, fundamental para 250 milhões de crianças que correm risco de cegueira por deficiência dessa vitamina. A outra notícia é de uma revisão (estudo) apresentada à Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina dos EUA apontando que os transgênicos são tão saudáveis quanto outros alimentos. Fora os fanatismos, radicalismos e “achismos”, a ciência está contribuindo para que haja menos gente com fome no mundo.

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