A falta de mão de obra no meio rural
Sexta, 10 de Janeiro de 2014

Acompanho há tempo a angústia de muitos agricultores que têm suas atividades econômicas ameaçadas pela falta de mão de obra. Interessante este fenômeno. Nas décadas de 1980 e 1990, o fenômeno na região era o fatiamento das propriedades rurais pelo grande número de famílias que existiam no interior. Os pais que conquistaram uma colônia de terra (25 hectares) na década de 1970, ou antes, precisavam ampliar as posses para “colocar” os filhos ou repartiam a que tinham. A primeira opção da época era trabalhar na agricultura. E assim multiplicavam-se as propriedades no interior, as comunidades eram fortes e as escolas eram muitas para dar conta da educação formal das crianças.

Nos finais das tardes pelas estradas era aquela zoeira de “gurizada” que voltava da escola. Nos fins de semana, depois da celebração, a principal atividade era a esportiva: o futebol. Era comum em uma sociedade (comunidade) haver dois ou três times. Algumas vezes, as partidas finais dos torneios avançavam no escurecer, pois eram muitos times.

Pois é! De tanta gente no interior, as propriedades rurais, que eram pequenas, ficaram menores ainda. Muitas famílias não se viabilizavam economicamente naquele pouco de terra. Chegou a um ponto que iniciou o esvaziamento rural. A migração acelerou ainda em meados da década de 1990. E hoje, na maioria das comunidades, as escolas fecharam e o campo de futebol virou pastagem ou lavoura.

Com isso, as propriedades rurais iniciaram um caminho inverso: o da ampliação do tamanho pela incorporação das vizinhas. O trabalho ficou facilitado pela mecanização se produzindo muito mais com menos gente. No entanto, continuam saindo pessoas do interior. E os que saem são principalmente os jovens. Permanecem os pais ou algum irmão com o patrimônio. Porém, do jeito que as atividades foram organizadas, estes não conseguem dar conta de todos os afazeres da propriedade. A maioria tem diversas atividades para se viabilizarem. E aí, em muitas situações, as forças já não suportam as lides diárias. Há oportunidade de trabalho no campo em abundância, principalmente para aquelas que trabalham com integração (suínos e aves). No entanto, há dificuldade de encontrar alguém que se habilite as vagas, que por sinal, são bem remuneradas.

Fato típico vem sendo acompanhando nos últimos dias. A angústia de diversos agricultores frente às dificuldades de encontrar gente para auxiliar na confecção de silagem de milho. Estes recorrem as patrulhas dos municípios, que possuem o operador, o trator e a ensiladeira, mas precisam do apoio da vizinhança ou de terceiros para o transporte e a compactação. Como a maioria está nesta lida, é claro que a dificuldade se apresenta. O que fazer? Bom! Acho que diante das dificuldades surgem as ideias e as oportunidades. Então uma das saídas é o estímulo para a formação de associações de agricultores que, através dos mutirões, dão conta das necessidades. Aliás, esta já é uma prática que vem ocorrendo com êxito em muitas comunidades. Outra saída é o estímulo à constituição de empresas terceirizadas que farão os serviços, a exemplo dos “apanhadores” de frango. Uma grande oportunidade!

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