Rentabilidade expremida
Sexta, 14 de Outubro de 2016

Boas safras vêm ocorrendo em todas as atividades nos últimos anos. As chuvas aqui no Sul ocorreram regularmente. Não houve intempéries de grande monta que prejudicassem a agricultura. A tecnologia vem sendo acessada pelos agricultores. Os preços, da maioria dos produtos, se mantiveram em patamares razoáveis. Mesmo assim, na maioria das propriedades a rentabilidade das atividades não é animadora. Pelo menos nas pequenas e médias propriedades. Onde está o problema?

Ocorre que as atividades rurais se tornaram tão complexas, tanto do ponto de vista interno como externo a propriedade. Internamente podemos dizer que o solo, que é a base da produção, vem se exaurindo química, física, e biologicamente. O meio ambiente (água, flora e fauna) foi modificado profundamente. A mão de obra é escassa. A genética das culturas e criações foi melhorada para adaptarem-se as necessidades locais e dos mercados e, com isso, exigem mais conhecimento dos agricultores para a condução, conhecimento este que, por vezes é limitado embora a tecnologia esteja presente. Grande capital imobilizado (maquinas, equipamentos e veículos) gerando custos indiretos às atividades entre outros fatores. Externamente também há complexidades iguais ou maiores que recaem sobre as atividades. Podemos citar como exemplo as legislações ambientais, sanitárias, tributárias, trabalhistas entre outras que se por um lado organizam as atividades por outro criam limites, oneram e desmotivam os agricultores. Os mercados (nacional e internacional) são cada vez mais complexos e exigentes. As estruturas de apoio são insuficientes ou fragilizadas tais como a armazenagem, as vias de escoamento, a energia elétrica e as comunicações. Há uma grande quantidade de insumos e produtos a disposição dos agricultores que possuem funções específicas para o aumento da produção que são usados inadequadamente ou, por vezes desnecessários. A produção gerada é destinada para indústrias que nem sempre estão próximas e, com isso, geram custos adicionais que recaem sobre o agricultor. Todos estes fatores contribuem para onerar o produto, que embora tenha preço satisfatório comprometem a rentabilidade. O agricultor gera um grande movimento de dinheiro, mas é diluído em cada etapa da produção. Como superar isto? Entre as sugestões afirmo que a saída é qualificar a gestão da propriedade e de cada atividade. Não adianta ter grandes produções e gerar grandes volumes monetários se a atividade e a propriedade ficam com a migalha. É isto que ajuda a desestimular o agricultor e contribui para o êxodo rural. Os produtores devem agregar-se e fortalecerem-se pelas associações, sindicatos e cooperativas e, junto às empresas e indústrias estabelecerem parcerias e contratos que sejam bons a todos. Assim todos ganharão e haverá desenvolvimento.

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