Ainda temos muito para fazer nas propriedades rurais
Sexta, 21 de Outubro de 2016

Temos como certo que o agronegócio está sustentando a economia do país. Graças à força do campo é que a balança comercial se mantém positiva. As exportações de grãos, carnes e algodão estão entre os principais produtos que geram divisas ao país. As carnes de frango e de suínos são basicamente oriundas de pequenas propriedades que, além de contribuir com a balança comercial, são responsáveis pelo dinamismo econômico de muitas regiões de agricultura familiar, como é a nossa. É notório o avanço produtivo que há nas propriedades. Produzimos muito mais em menos área e com menos gente. Porém muito há para ser feito.

De uma propriedade diversificada e de subsistência com venda de excedentes, as pequenas propriedades passaram para a especialização, como sempre foram a maioria das propriedades médias e grandes. Essa especialização vem reduzindo, cada vez mais, as opções de produção e, com isso, nem todas as propriedades se viabilizam. Como consequência, intensifica-se o esvaziamento rural. Qual o problema? Acho que o problema está na visão que se tem de negócio na propriedade. A propriedade é vista não como um sistema de múltiplas possibilidades, mas sim como uma unidade de produção estanque. Produz-se aquilo que tem mercado agora. O planejamento é feito com uma visão imediata. Não se planeja a unidade de produção levando em consideração os fatores ambientais, o relevo, o clima, o perfil de solo, a qualidade do solo e, sobretudo, atividades de colheita em curto, médio e longo prazo.

O que se faz é focado naquilo que é de fácil manejo, considerando a mecanização e os insumos que há no mercado local de pronto. Por cima, respeitamos pouco as técnicas de ocupação do solo de acordo com sua aptidão. Cultivamos áreas com culturas anuais onde deveriam ser implantadas culturas perenes. Ocupamos áreas de encosta para criação animal utilizando espécies forrageiras que contribuem para a erosão do solo. O sistema plantio direto é, na maioria das vezes, confundido com plantio sem revolvimento do solo. Para a maioria das culturas os nutrientes que disponibilizamos é somente o NPK, sendo que há tempo sabe-se que a planta necessita de pelo menos 16 elementos essenciais. Técnicas de quebra-vento são pouco utilizadas. Técnicas de retenção da água e de preparo do solo são negligenciadas e, por isso, numa região onde chove, em média, mais de 1.800 mm anuais, frequentemente temos perda de produção por estiagens.

E as abelhas? Ah! As abelhas! Queremos o mel, mas poucos se importam com elas. Queremos produções, mas cuidamos somente do fertilizante, do controle das pragas e doenças, das invasoras, da mecanização e esquecemos-nos da polinização. Quase ninguém sabe que mais de 75% dos vegetais precisam de insetos para a polinização. As abelhas são grandes polinizadores. E os técnicos? Ah! Os técnicos! Quem tira tempo longo para planejar, desafiar, buscar estratégias de melhor desempenho para as unidades de produção com os técnicos? Na maioria das vezes, o técnico é visto como um despachante. Como alguém que está no processo apenas para cumprir formalidades. Avançamos muito, mas ainda há muito para fazer nas propriedades rurais.

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