O agricultor trabalha num ambiente muito complexo
Sexta, 28 de Outubro de 2016

Como num jogo de futebol no qual muitos são os “técnicos” que têm a solução extracampo, na agricultura também é grande o número de “técnicos” que têm as soluções para as atividades rurais. Compreende-se a liberdade para opinar porque é próprio do homem o cultivo das plantas e o cuidado dos animais. Qualquer pessoa tem condições de conduzir minimamente jardins, hortas, pomares, bosques ou até mesmo pequenas criações como hobby. O envolvimento e os afazeres, neste caso, são puramente para distração, relaxamento ou para complementação das necessidades da casa. Quem conduz as atividades, normalmente, não tem olhar econômico, mas sim da contemplação, da poesia, do belo, da graça e da subjetividade. Situação diferente tem aqueles que lidam com as atividades agropecuárias. Por natureza, a paixão pelas plantas, pela terra, pelos animais e por todo o jeito da roça ou do campo está presente no agricultor e no pecuarista. A diferença, porém, é que a paixão deve satisfazer o coração e o bolso. Situação difícil nos últimos tempos, porque a arte e a paixão devem ser dosadas com a razão e o domínio da ciência sobre as atividades para que se converta em resultado econômico. O homem do campo, além de entender da terra, do clima, da planta e do animal em si, precisa entender dos mercados, dos preços, dos custos e tantas outras variáveis que recaem sobre as atividades rurais. Não basta somente produzir, mas, sim, ter resultado econômico a partir da produção. Considera-se, contudo, que a complexidade aumentou muito quando nos referimos ao solo, à água, à fauna, à flora, à genética, aos fertilizantes, aos produtos fitossanitários, às rações, aos medicamentos, ao manejo, à mecanização, entre outros fatores de produção. O agricultor precisa ser um especialista para poder organizar a atividade de tal sorte que o máximo de fatores seja dominado e as produções se convertam em resultados positivos. Tarefa difícil porque a complexidade do ambiente de produção cada vez aumenta mais, absorvendo-o na busca de informações ou no ativismo próprio das atividades, compensando recorrer a auxílio técnico externo. Aí entram os profissionais das ciências agrárias, especialmente o engenheiro agrônomo, que deve usar da engenharia para auxiliar o agricultor. Palpitar sobre o que deve e o que não deve ser feito dentro das propriedades não resulta em melhoria da situação do agricultor, muito menos conduzir o assunto pelo cunho desta ou daquela ideologia populista ou sensacionalista. As propriedades rurais são unidades de produção que, além de possuírem uma função social, precisam viabilizar os que nela trabalham. O agricultor e o técnico devem projetar o complexo ambiente de produção para que cada atividade agrícola tenha sucesso.

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