A agricultura que encanta e causa polêmicas
Sexta, 04 de Novembro de 2016

O Brasil tem hoje cerca de 63 milhões de hectares de área cultivada. Com essa área de cultivo, viemos obtendo recordes de produção ano após ano. Contudo, os especialistas afirmam que há disponível aproximadamente 152 milhões de hectares de área potencial para a produção, sem que seja necessário desmatar uma só área. Portanto, além do incremento da produção pelo aumento da produtividade, há a possibilidade da expansão das áreas. Hoje, são cultivados cerca de 33 milhões de hectares com soja, que renderam, na última safra, aproximadamente 95 milhões de toneladas. A produção de milho foi de 68 milhões de toneladas em uma área de 16 milhões de hectares. Ainda foram ocupados dez milhões de hectares com cana-de-açúcar, dois milhões de hectares com algodão e quase dois milhões de hectares com feijão. Cito somente as culturas mais expressivas. Estima-se que, da área total, 44,2 milhões de hectares são ocupados com culturas transgênicas, destacando-se a soja com 94% da área e o milho com 84%. As características de solo, topografia e clima (calor e chuvas) favorecem para empreender na agricultura, inclusive com a obtenção de duas safras na mesma área, na maioria das regiões agrícolas, coisa que em muitos países não é possível. Se o clima (quente e úmido) é um fator que favorece a agricultura brasileira, por outro lado preocupa porque também potencializa as invasoras, as pragas e as doenças, perpetuando os ciclos biológicos sem que haja interrupção. Diferentemente da Europa e parte da América do Norte, onde o frio com temperaturas negativas por períodos longos naturalmente interrompe o ciclo das plantas invasoras e das plantas voluntárias que podem ser hospedeiras de pragas e doenças. Deste modo, apesar da adoção das técnicas preventivas, tais como a rotação de culturas, do uso da resistência varietal, do uso de sementes e mudas de boa qualidade entre outras, lança-se mão dos produtos fitossanitários para auxiliar as plantas a manterem-se íntegras. Produtos fitossanitários, mais conhecidos como agrotóxicos, que cumprem uma função importante quando se esgotaram os recursos para salvar as lavouras. Aquilo que o frio faz na Europa, nos EUA e no Canadá, deve ser feito aqui com os agrotóxicos. E aí vem a polêmica: usamos muito agrotóxico! A imprensa noticia a equivalência do consumo de 5,2 litros de agrotóxico/habitante/ano. Exagero na expressão porque não é verdade que o brasileiro consome agrotóxico. Não é o correto dividir a quantidade usada pela população brasileira. O correto é dividir pela área cultivada ou manejada, levando em conta as áreas de pastagens nativas ou florestas implantadas, como a metodologia internacional considera. Deste modo, podemos efetuar comparativos do uso tais como: cada hectare cultivado no Brasil recebe 6,9 kg/ano, na França gastam-se 4,6 quilos e, na Holanda, 9,4 kg/ha. Ressalvo que no Brasil, na maioria das regiões, fazem-se duas safras/ano e em algumas até três. Nem por isso, usando este cálculo, justifico o uso indiscriminado de agrotóxico. Porém, há de se fazer justiça aos agricultores que vêm impulsionando a economia brasileira há tempo. Números da agricultura que encantam e também causam polêmica, se postos inadequadamente.
 

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