O setor agrícola padece pela carência de infraestrutura
Sexta, 11 de Novembro de 2016

Não é de agora que os especialistas vêm falando da precariedade da infraestrutura de apoio à produção que há no país. Nos últimos dias várias autoridades se manifestaram apontando o déficit e o colapso que é eminente, se não houver reversão nos investimentos. Na região é notória a fragilidade nas vias de escoamento, de energia elétrica, sinal de telefonia, armazenagem, pontes, abastecimento de água, entre outras. Estruturas que estando precárias ou em déficit encarecem, travam ou desestimulam a produção. Segundo especialistas, o investimento em infraestrutura deveria ser de pelo menos 5% do PIB e, nos últimos anos, foi menor que 2,4%, o que não assegura nem mesmo a manutenção do que já existe de construído. Pior do que isto é que quase a totalidade da infraestrutura é realizada com dinheiro público, que deveria ser em parceria com o privado, pois é notório que o ente público não possui o dinheiro necessário para toda a demanda, fragilizando ainda mais outras áreas como a saúde e a educação. No setor de armazenagem, que é um setor estratégico da economia e do abastecimento, o déficit é da ordem de 20% da produção. Hoje o país tem capacidade estática de armazenagem ao redor de 155 milhões de toneladas, a qual deveria ser próximo da capacidade de produção anual, que é da ordem de 200 milhões de toneladas. O que significa ter pouca capacidade de armazenagem? Significa que o próprio agricultor necessita comercializar sua produção ao preço do dia, sem a opção de ter o produto estocado esperando o melhor preço. Sem capacidade de armazenagem, o produto “passeia” e encarece pelo frete, pelo congestionamento das estruturas de exportação em um curto espaço de tempo e, no caso de muitas regiões do país, o produto permanece estocado em “silos bags”, como um paliativo aguardando o momento da comercialização. Mesmo que haja linhas de crédito do governo federal para a construção de armazéns, a política de armazenagem ainda não mereceu a devida atenção para encorajar os agricultores a acessarem esses recursos. Basta olharmos para a paisagem do Rio Grande afora e verificarmos a grande espacialidade dos silos de armazenagem implantados. Outro comentário que volto a fazer é sobre as vias de escoamento priorizadas pelas rodovias. Uma malha viária que está precária, que corta o país congestionada pelo volume de veículos de passeio e de transporte que se conflitam nas pistas estreitas, esburacadas e mal sinalizadas. Sobre estas há as pontes que, em muitas situações, não recebem manutenção há muito tempo; e, de igual forma, os entroncamentos (trevos) que já não dão conta do fluxo de veículos, assim como as travessias urbanas que oferecem perigo, congestionam e atrasam os percursos. Hoje fico no comentário dessas duas estruturas (armazenagem e vias de escoamento), chamando atenção para a necessidade de investimentos urgentes, pois impacta negativamente a produção agrícola, justamente esta que vem sendo a âncora da balança comercial brasileira nestes últimos anos.

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