A rentabilidade é que segura o homem no campo
Sexta, 18 de Novembro de 2016

Muito se fala sobre a necessidade da permanência do homem no campo. O desejo uníssono é que haja agricultores para produzir o alimento e tantos outros bens necessários a nossa vida. Se há migração para às cidades daqueles que trabalham na terra, quem irá produzir o nosso alimento? De fato, a FAO vem afirmando que até o ano de 2050 a população mundial será da ordem de 9,3 bilhões de pessoas, sendo que 70% delas viverão nas cidades. Deveremos aumentar em 70% a produção de alimentos para suprir este crescimento. Só de cereais deverá ser produzido ao redor de 3 bilhões de toneladas, sendo que hoje se produz 2,1 bilhões de toneladas. Mas para haver esse aumento de produção é necessário estímulos para que os que produzem se sintam valorizados e tenham resultado positivo. No caso do Brasil, a FAO aponta que deverá haver políticas compromissadas e de longo prazo, apoio ao crescimento com inclusão social, melhoria da infraestrutura, investimentos em pesquisa e desenvolvimento, articulação internacional, tecnologias sociais e políticas para grupos vulneráveis. Considero que, o que a FAO aponta não é nada novo e está de acordo com a maioria dos órgãos e entidades que lidam com o agronegócio. Algumas coisas estão sendo feitas, porém timidamente para um setor que é conduzido por pessoas que têm necessidades que devem ser satisfeitas com o produto do campo. Um setor vulnerável e à mercê das condições climáticas e dos mercados internacionais. E não tem mágica não. Ou se parte para ações concretas, tratando o setor rural como estratégico para o país, ou continuaremos a assistir ao esvaziamento do campo. Afirmo isso porque não tem entusiasmo que se mantém sem que se veja os resultados positivos das atividades que se empreende. Acho que da porteira para dentro há bastante por fazer, partindo do planejamento da propriedade rural. Para isso, são fundamentais a determinação do potencial produtivo da propriedade, a análise econômica e financeira determinando o custo de produção de cada atividade, a análise do potencial e das habilidades das pessoas e dos processos de produção, a consideração pelos aspectos ambientais e fiscais que incidem sobre as atividades e, por fim, um eficiente gerenciamento e sistema de controle. Pelo menos, estes aspectos devem ser considerados sobre a propriedade e me parece que se caminha a passos largos para a profissionalização do setor. No entanto, há fatores como o câmbio, a produção mundial, os acordos tarifários internacionais e outros fatores externos que determinam a rentabilidade do agricultor. Um exemplo é o custo de produção baseado nos preços internacionais dos insumos. Pelo que se projeta hoje, no Rio Grande do Sul para se produzir 60 sacos de soja/ha tem-se um custo de produção equivalente a 43 sc/ha. Logo, numa família de 4 pessoas (dois adultos e duas crianças) há a necessidade de cultivar pelo menos 45 hectares de soja para viabilizar a propriedade. Vejam que não é fácil atingir escala num setor frágil. E se não há rentabilidade não tem como segurar pessoas no campo.

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