Que não se confirme La Niña
Sexta, 25 de Novembro de 2016

Um dos grandes temores dos agricultores é que haja frustração de safra. Aliás, o temor se estende a vários segmentos econômicos da maioria dos pequenos municípios interioranos, visto que é o setor rural que dinamiza a economia local. A possibilidade de uma safra pobre significa menos serviço e, com isso, menos dinheiro circulando e menos acesso aos bens de consumo das famílias. Contudo, há indicações de que as culturas de verão poderão produzir satisfatoriamente bem, pois os efeitos de La Niña poderão tardar.

De fato, até o momento, as lavouras de milho, de fumo, de feijão, as frutíferas, as pastagens e outras culturas da região vêm se desenvolvendo satisfatoriamente. As chuvas foram favoráveis para a implantação e para o desenvolvimento das culturas. Logo inicia a colheita de feijão, de fumo e de uva, especialmente nas pequenas propriedades, e, com isso, parte da safra já se concluiu. Porém, ainda temos a cultura do milho, que está entrando na fase crítica, pois a maioria das lavouras está no espigamento e requer umidade adequada. A soja semeada no final de outubro e na primeira quinzena de novembro teve boa emergência e vem se estabelecendo satisfatoriamente. Já aquelas lavouras que estão sendo semeadas a partir da última semana aguardam chuvas para que haja uma boa germinação e emergência. Vantagem têm aquelas lavouras que foram manejadas visando à conservação do solo, especialmente com trabalhos para a infiltração da água das chuvas e para a formação de palhada, pois terão melhores condições de umidade e sofrerão menos com a falta das chuvas.

Embora ainda com custo um tanto elevado para a implantação, a irrigação começa a chamar a atenção na paisagem da região. Tanto o médio e grande produtor vem acessando esta tecnologia para as lavouras de produção de grãos, como também o pequeno produtor de leite e de frutas que acessa os equipamentos e assegura um bom resultado das atividades. Para estes, a dependência da chuva já não traz tanto desconforto, pois a tecnologia bem aplicada fornece água para as plantas conforme a necessidade.

Dentro dos fatores que influenciam a produção, talvez a água seja o mais importante, pois sem ela os processos fisiológicos se fragilizam. Contudo, chamo a atenção para a temperatura que também tem influência direta sobre a produção tanto dos animais como dos vegetais. Dois fatores (água e temperatura) são fundamentais para a produção agropecuária e que, até o momento, estão dentro da normalidade histórica para a região.

As análises climáticas indicam que as regiões já sentem a influência de La Niña, especialmente a Sudeste, a Centro-Oeste, a Norte e a Nordeste. Lá está chovendo mais e formando-se os temporais que aqui também já nos ameaçaram. Vamos torcer para que La Niña não seja tão rigorosa aqui no Sul, dando-nos a chance de colhermos uma safra abundante para aquecer a economia dos municípios que dependem da agricultura.

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