As agroindústrias começam a tomar corpo na região
Sexta, 02 de Dezembro de 2016

Não é de hoje que se fala na necessidade da agroindustrialização da região. Universidades, órgãos públicos, instituições de assistência técnica e de consultoria, sindicatos, associações de municípios, conselhos regionais, lideranças e profissionais de várias áreas há, pelo menos, duas décadas se debruçam em esforços e argumentos para encorajar empreendedores a investirem em agroindústrias. Por que esta necessidade? Porque muita matéria-prima se produz aqui e a maioria é transformada longe daqui, em regiões distantes. A produção primária agrega valor sim, mas não tanto quanto a transformação em subprodutos. Além do mais, a agroindústria cria um sinergismo e uma rede de parcerias que dinamizam a cadeia produtiva, contribuindo para o desenvolvimento das pessoas, das famílias e, por isso, da região.

Não é fácil formar um empreendedor. Eu diria que são poucos os que têm a habilidade e o dom para empreender na indústria ou na agroindústria. Não é simplesmente o ofício de transformar matéria-prima em subprodutos, mas ter tino para organizar toda a logística, a cadeia de suporte e de distribuição dos produtos transformados. Também é ter habilidade para se estabelecer num mercado competitivo, de rigor legal e tributário que, por vezes, desencorajam os que se desafiam. Habilidades que em alguns é nata e em outros é desenvolvida ao longo da vida.

A formação de opinião para empreender também é construída aos poucos. Aquele que tem recursos e tem propensão a implantar um empreendimento constrói primeiro no seu imaginário e, depois, passa a materializar no papel aquilo que seria ou será a realidade. Lógico que nesse intervalo de tempo, entre a vontade e realidade, há inúmeras variáveis de ordem pessoal, familiar e de extrapropriedade que pesam na velocidade das decisões. Papel fundamental desempenham, nesses momentos, as entidades, os consultores e os apoiadores, pois auxiliam na tomada de decisão, tirando as dúvidas e construindo o projeto.

Tirando as dificuldades próprias da área, a transformação de produtos primários agrega valor e não faltam estudos que indicam isso. Vejamos alguns exemplos de percentual de agregação de valor em relação ao produto comercializado in natura: 59% no doce de figo, 468% na conserva de pepino, 206% no pêssego em calda, 180% no doce de abóbora, entre 136% e 150% no doce de morango, 28,4% na rapadura, o mínimo de 10,8% nos embutidos, entre 13,8% e 150% no queijo e requeijão e, na mandioca, 140%. Convencidas da lucratividade, da inclusão e da oportunidade de renda e do apoio de natureza diversa, inúmeras famílias estão empreendendo na região. Para muitos, a hora de empreender chegou. Derivados de carne, derivados de leite, sucos e vinhos, conservas, doces, bolachas e panificados, entre outros. Vamos fazer esforço para que esse ritmo continue e, cada vez mais, haja encorajados para transformar a matéria-prima que aqui se produz.

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