A polêmica dos hortigranjeiros contaminados
Sexta, 09 de Dezembro de 2016

Produtos hortifrutigranjeiros novamente são alvos de denúncia por contaminação de agrotóxicos. Agora amostras contaminadas foram encontradas em alguns produtos da CEASA/RS. Mais grave é que algumas delas indicaram a presença de agrotóxicos proibidos. Produzir hortaliças e frutas em nível comercial não é tão simples. As dificuldades decorrem quando se aumenta a escala de produção, pois surgem as pragas e as doenças, principalmente quando se produz a céu aberto, daí produto com defeito não “roda” no mercado e o prejuízo começa a aparecer. Assim, o jeitinho brasileiro é fazer pelo mais fácil e imediato, que é aplicar agrotóxicos e, muitas vezes, sem orientação agronômica. Daí a contaminação por produtos inadequados, proibidos ou por excesso. Hoje há disponíveis inúmeras técnicas de combate às pragas e doenças que, no chamado Manejo Integrado de Pragas – MIP, resultam em produtos sadios para o consumidor e com reduzidas perdas para o produtor. Trata-se de uma metodologia de condução da lavoura que envolve vários fatores que irão favorecer a planta e o meio ambiente e desfavorecer as pragas e as doenças. Não se trata de imediatismo, mas, sim, de planejamento com metas em curto, médio e longo prazo, coisa que nem todos se dispõem a praticar. Também é verdade que, em muitas regiões, os agricultores têm dificuldade de encontrar no mercado produtos chamados controladores biológicos. Esses produtos exaustivamente pesquisados e disponibilizados comercialmente são capazes de interferir em alguma etapa do ciclo biológico da praga sem contaminar o meio ambiente e os alimentos. São produtos à base de fungos, bactérias, vírus, nematóides ou outros elementos que atuam diretamente sobre o corpo do inseto sem interferir em animais ou vegetais. Também há disponível no mercado produtos que atuam sobre o comportamento dos insetos, como é o caso dos feromônios, que podem ser atraentes ou repelentes. A eficácia destes produtos é notória, porém, em poucas regiões do Estado há casas comerciais que os disponibilizam. Quanto aos agrotóxicos há um marketing bem elaborado e uma rede bem planejada de distribuidores, fornecedores e de formadores de opinião que visitam, periodicamente, as agropecuárias e os agricultores colocando ao alcance produtos de efeito imediato e de uso prático. Já os produtos alternativos normalmente ficam a cargo dos órgãos de assistência técnica para a divulgação e para intermediar com os poucos fornecedores no Estado. Chamo atenção para a Lei 7.802 de 11 de julho de 1989, chamada lei dos agrotóxicos, que agora está sendo revista sob a liderança do deputado Covatti Filho, que disciplina este tema complexo, cuja fiscalização é fragilizada e, por isso, dá margem para os excessos e abusos. Essa lei está sendo revista pelo PL 3.200, em consulta pública. Os agrotóxicos constituem um importante meio de auxiliar as produções, no entanto merecem atenção para o uso. O melhor é adotar o MIP e seguir um planejamento para a produção, assim continuaremos a ter produtos saudáveis, agricultores com rentabilidade e consumidores satisfeitos.

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