O ano de 2016 foi muito completo para o setor rural
Sexta, 23 de Dezembro de 2016

Aproxima-se o final do ano e um balanço se faz necessário sobre o setor rural. Um ano complexo, resume a maioria dos analistas econômicos e de mercados. O principal fator que indica esta afirmação foi a estiagem no Centro Oeste brasileiro, prejudicando profundamente a produção de milho e de soja, principais insumos da ração para a produção animal. Na nossa região, a safra foi cheia, porém, aqui não se produz milho suficiente para alimentar nossas indústrias de ração. Dependemos do milho do Mato Grosso e tendo escassez, sofremos fortemente com a sua falta e, por algum período, inúmeros integrados de aves e de suínos ficaram com ração restrita para fornecer aos animais. A falta de milho no mercado elevou o preço deste insumo a patamares nunca vistos, encarecendo a produção de lácteos e de carnes, todavia, para os produtores deste grão, o preço continua compensador. De um modo geral, a estiagem no Centro Oeste contribuiu para que a produção agrícola 2016 fosse 12,3% menor do que a de 2015, pois se esperava além de 200 milhões de toneladas. Mesmo assim, o setor rural continuou sendo a principal âncora da balança comercial brasileira. Outro fator que perturbou e continua perturbando o setor produtivo é a situação política brasileira. Com o impedimento de Dilma, a nova equipe do governo Temer vem propondo ajustes na legislação que refletem diretamente na economia e nos direitos sociais dos agricultores, provocando uma inquietação no campo e levando a mobilizações dos sindicatos e manifestações públicas contra as ameaças das garantias constitucionais dos trabalhadores rurais. De igual forma, continuam estagnadas as propostas de investimentos nas estruturas como vias de escoamento, armazenagem, energia elétrica, comunicações, entre outras que, se equacionadas, são importantes apoios à produção agropecuária, vindo em benefício dos produtores e das regiões eminentemente agrícolas.

Apesar dos fatores macroeconômicos que refletem diretamente no dia a dia dos produtores, a região tem muito a comemorar: as condições climáticas continuam sendo favoráveis, os preços dos produtos agrícolas continuam elevados, está havendo condições para expandir as atividades agropecuárias, há paz e ordem no campo, as instituições de apoio aos agricultores estão organizadas e presentes, novos empreendimentos e agroindústrias vêm sendo implantados, entre outros. Poderíamos estar melhores, sim, mas o setor, como é dependente de outros segmentos, também não pode fazer milagres. Fizemos parte de um todo e, por isso, sofremos os impactos positivos e negativos mesmo que a causa esteja distante do centro de produção. Certo é que temos muito a comemorar e a agradecer. Sejamos gratos pelo que a natureza nos concede e busquemos melhorar aquilo que estiver ao nosso alcance.

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