O conhecimento que revoluciona o campo
Sexta, 17 de Fevereiro de 2017

Os resultados de produção e de produtividade vêm impressionando a todos. A cada safra ou a cada ciclo de criação, os números se superam. Na cultura do milho ultrapassamos os 200 sc/hectare, na soja já passam de 100, no trigo houve lavouras na última safra que ultrapassaram os 80 sc/ha de produtividade. Na fruticultura não é tão diferente, pois temos produtores que produzem 80 toneladas de citros/ha, uva produzindo 40 ton./ha. Na produção animal, os resultados também são impressionantes, pois há produtores de leite com média de produção de 45 litros/animal/dia, suinocultor com conversão alimentar ajustada para 100 quilos de peso vivo atingindo 1,779 e avicultores entregando frangos para a indústria com 42 dias de idade com peso acima de 2,7 kg. São alguns exemplos da eficiência produtiva fruto do conhecimento e da tecnologia aplicada na produção. Contudo, não é tão simples chegar a este patamar sem que uma rede de apoiadores e de pesquisadores estivesse ao longo do tempo resolvendo gargalos. Se olharmos para a produção vegetal, especialmente para os cultivos agrícolas nas décadas de 70 e 80, verificamos que a nutrição de plantas se baseava em apenas três nutrientes: nitrogênio, fósforo e potássio, e a grande novidade era a aplicação de calcário para a correção da acidez do solo. Hoje, para ótimas produções busca-se equilibrar 16 nutrientes, além do cuidado incessante com a estrutura do solo. Mas não é só isso, dominou-se a genética para aumento das produtividades, para a resistência às pragas e às doenças bem como para a adaptação a ambientes diferentes atendendo interesses humanos. As máquinas e os equipamentos também se sofisticaram para diminuir a penosidade do trabalhador, o sistema de comunicação melhorou e principalmente há mais gente se envolvendo na complexa rede que é o agronegócio. Temos muitos problemas a serem resolvidos ainda, mas existe muita gente trabalhando para buscar as soluções. Um exemplo típico é com a disposição dos dejetos de grandes criatórios. Até o momento, a solução é aplicar os dejetos nas lavouras após um período de estabilização, porém busca-se uma alternativa técnica e econômica para volumes mais significativos. Outros exemplos: o déficit de energia elétrica que algumas propriedades apresentam e que começam a ser supridas com energia solar; a transformação de produtos nas propriedades como opção de agregação de valor e para atingir mercados mais qualificados (cantinas e agroindústrias); a formação de associações para maximizar a utilização de máquinas e equipamentos; a constituição de pequenas cooperativas para equacionar objetivos comuns de produtores, entre outros. A revolução que se observa no campo é fruto do acesso ao conhecimento. Quanto mais conhecimento à disposição dos produtores maiores são as transformações. A perpetuação nas propriedades rurais necessariamente será decorrente do acesso às tecnologias e ao conhecimento em múltiplas áreas. 

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