Plantar ou não plantar trigo
Sexta, 17 de Março de 2017

A colheita da soja avança e os produtores se preparam para a tomada de decisão sobre a implantação das lavouras de inverno. Há um processo para a formação das lavouras que inicia com a construção de opinião sobre os mercados dos cereais (principalmente do trigo), sobre as condições climáticas (prognóstico de chuvas e a situação das temperaturas) para depois decidir o quanto e em que investir (trigo, aveia ou pousio). Além disso, a atenção também se volta para a situação do cereal a nível mundial, tais como a produção (748 milhões de ton.), o consumo (740 milhões de ton.), os estoques (249 milhões de ton.), o câmbio, porque o valor do produto oscila com a cotação internacional e os insumos são dependentes de matéria-prima oriundas do petróleo. Na última safra brasileira, as condições climáticas foram excelentes e resultaram numa produção de 6,7 milhões de ton., porém o preço não foi animador para o agricultor, porque lá fora foi produzido muito trigo e de melhor qualidade. Nosso consumo é da ordem de 11,5 milhões de ton., sendo que grande parte é para pão, que exige poder de glúten para atender nossa preferência. Somente 30% da nossa produção atende as necessidades da indústria panificadora, então o restante (próximo de 6 milhões de ton.) tem que importar principalmente da Argentina, do Paraguai, dos EUA e do Uruguai a preços internacionais. Diante deste cenário, o agricultor fica sempre angustiado para tomar as decisões. Por um lado precisa ocupar a estrutura que tem na propriedade para diminuir custos fixos e, por outro, corre os riscos inerentes à atividade. Situação nada fácil e que exige informação para tomar decisões mais acertadas. Vamos então a algumas informações que podem ajudar na formação de opinião. Para o período até o final de maio há maior probabilidade de chuvas e temperaturas acima da faixa normal climatológica. Pode haver entradas repentinas e curtas de frente frias que derrubarão as temperaturas por curtos períodos. Para os cereais de inverno não há maiores perigos uma vez que a semeadura ocorre a partir de maio se estendendo até junho. Para além deste período há indicadores de que pode haver aquecimento das águas do Pacífico, o que sinaliza a possibilidade de um El Niño em formação na primavera/verão com temperaturas mais elevadas e chuvas acima da média. Contudo, ainda é cedo para prognósticos distantes acerca da efetividade do fenômeno. Quanto aos preços do trigo, há indicadores de estabilidade e queda nos preços uma vez que a Argentina produziu uma safra recorde de 15 milhões de toneladas e, sabe-se que boa parte deste produto vem para o Brasil. Além disso, o dólar baixo favorece as importações, o que desestimula a aquisição do trigo nacional. Por outro lado, não é indicado deixar as terras descobertas e nem as máquinas e equipamentos parados. Mesmo com o preço baixo deve-se semear trigo como forma de ocupar as estruturas e contribuir para a qualidade do solo. Os especialistas afirmam que o lucro deve vir da produtividade e não dos preços. Formar uma boa lavoura e conduzir a atividade corretamente para garantir altas produtividades deve ser o foco. Então, vamos semear trigo, sim!

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