A ganância que prejudica milhares de famílias
Sexta, 24 de Março de 2017

Não tem como ficar indiferente frente à ação da Polícia Federal chamada de “Carne Fraca” que prendeu fiscais, funcionários e proprietários de frigoríficos, e interditou agroindústrias do ramo das carnes. Fora o exagero midiático, se constituiu numa ação bem vinda que se soma a outras como o “Leite Compensado”, a “Operação Pasteur”, a operação “Poison Cachè” e, entre outras, que foram deflagradas para coibir fraudes em produtos de origem animal ou fitossanitários. Parece que as lições não são aprendidas porque, volta e meia, tem uma ação do Ministério Público ou da Polícia Federal descobrindo os “espertinhos”. Pena que quem “paga o pato” é o consumidor ou o produtor porque, até que o crime é descoberto, muito produto irregular pode ir para o mercado. Crimes que põe em perigo uma cadeia produtiva que é constituída e organizada com tanto sacrifício penalizando vários segmentos da produção. A ganância e a falta de ética de alguns podem causar prejuízos irreparáveis para um setor que, geralmente, leva décadas para ser organizado. É o típico fato da “Carne Fraca”, cujas autoridades brasileiras, como o Ministro da Agricultura, os presidentes da CNA e da ABPA e até mesmo o presidente da República, não vem medindo esforços para acalmar os ânimos dos consumidores e da comunidade internacional para amenizar os prejuízos do “barulho” midiático. Mas, os mercados não perdoam e vários países já anunciaram cancelamento temporário das importações de carnes e outros usarão o fato para barganhar vantagens que eram nossas. Logo agora que o agronegócio se firma como um dos únicos setores superavitários da balança comercial brasileira e, ainda com o setor de carnes que somos bons na produção e no processamento. Só sabe o retrocesso que isto pode causar quem está vivendo o setor. Imagina se os nossos frigoríficos começarem a ter retalhações comerciais e a carne e derivados encalham! O que acontecerá com os empregos, com os criadores, com os fornecedores e com o comércio local? Quem já viveu a experiência do fechamento de frigoríficos sabe do que falo. Acho que os sistemas de controles e de auditorias devem ser rigorosos e os agentes encarregados da fiscalização devem ser bem valorizados e disporem das estruturas e condições para exercerem suas funções com seriedade e imparcialidade. Em que pese a fraqueza humana sempre que um profissional é valorizado ele apresenta bom trabalho. Quem gosta de fiscal? O fiscal existe para verificar se os procedimentos, as metodologias e a legislação são cumpridas. Ele é “chato” porque ele cobra, exige, condena e ninguém gosta de reserviço, cobranças e condenações. Mas, é a função legal ao qual ele está investido. Da mesma forma, o empresário consciente e honesto sabe de sua responsabilidade em manter a qualidade da produção auferindo preço justo, tendo ganhos razoáveis, sem ter que usar de ilicitudes para enriquecer. Cada pessoa deve saber que, além do ganho justo, o seu trabalho tem uma função social. Parabéns aos que atuam no segmento de carnes na região, pois dão mostra que aqui somos sérios. A ganância que prejudica milhares de famílias não tem lugar por aqui!

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