Uma fraquejada numa cadeia organizada
Sexta, 31 de Março de 2017

Tenho a impressão de que, nas duas últimas semanas, nenhum brasileiro ficou alheio ao noticiário da operação “Carne Fraca”. Não houve meio de comunicação que deixou de registrar o fato e emitir opinião sobre os reflexos da ocorrência. A repercussão foi tamanha, que desacomodou o mercado brasileiro de carnes, e a maioria dos países compradores se posicionaram com restrições temporárias. Sem vendas e com as interdições dos frigoríficos, que era o foco da operação, sobrou para os funcionários que passaram a ser demitidos e para os produtores integrados que não tem respostas sobre o futuro da produção. O “leite derramado” deve servir para algumas lições, entre as quais: primeiro- o mercado está globalizado realmente, e o que se faz, em quatro paredes, com os alimentos tem reflexos globais. Por isso, existem os acordos internacionais, onde alguns deles são trabalhados por anos até se chegar a consensos razoáveis, equilibrando interesses. Segundo- se há regras, normas e leis que regulam os alimentos é para serem cumpridas, pois estas têm fundamentos técnicos para existirem. A interferência política sobre alguns setores, como é o caso da fiscalização de alimentos, pode atrapalhar e, quando esta for necessária, deverá ser para melhorar as condições de trabalho e dos procedimentos. Terceiro – Sobre todo o trabalho há uma interface social a qual nem sempre temos a noção da amplitude. Tanto isto é verdade que a leviandade de alguns fiscais está comprometendo centenas de empregos de pais e de mães de famílias, direta ou indiretamente. Além disso, está havendo um grande desgaste do setor que levou tempo para formar e organizar a cadeia produtiva. Poderia citar outras lições, mas cada elo do segmento das carnes tem seus argumentos e ponderações a partir deste fato. Na região já tivemos ações no setor leiteiro e há produtores que ainda se ressentem dos prejuízos. Considero que estes fatos roubam a esperança dos produtores e colaboram para que muitos jovens busquem outros caminhos que não a produção rural. Como é difícil para os pais argumentarem para os filhos continuarem na propriedade rural quando há fatos desta natureza! Torna muito mais difícil a sucessão rural, cujo problema é preocupante. O certo é que em todos os setores há dissabores e, onde há pessoas poderá haver deslizes, mas com certeza há muitíssimo mais acertos, organização e entendimentos. Pode ser que hajam cadeias mais organizadas do que as das carnes, especialmente a suína e a de frango, mas sem sombra de dúvida, estas são exemplos e disto a região sabe. Podemos continuar acessando esta importante fonte de proteína porque é produzida por mãos habilidosas e por gente séria. Vale a pena continuar na atividade porque os “espertinhos” levaram uma “chacoalhada” e, com certeza, a depuração acontece por si. 

Comentários