Turbulências no agronegócio
Sexta, 07 de Abril de 2017

Realmente nas últimas semanas o agronegócio está à sombra de turbulências que assustam qualquer agricultor experiente. Primeiro, a operação “Carne Fraca”, que causou um alvoroço no setor das carnes. Com maestria, o ministro da Agricultura e outros representantes de setores ligados às carnes, contornaram um pouco da “bagunça” causada, em parte, pela grande mídia. Na sequência (dia 30 de março) dois fatos também repercutiram negativamente para os produtores: a decisão do Supremo Tribunal Federal votando pela constitucionalidade do recolhimento do Funrural sobre a produção bruta do produtor, e a queda do dólar reduzindo significativamente os preços da soja e do milho. Dois fatos impactantes onde um (a decisão do STF) foi a “faísca” para iniciar um movimento nacional que promete “incendiar” Brasília no dia 1º de maio em protesto ao STF e ao governo, que está guloso por impostos e contribuições. A maior indignação dos produtores se refere ao voto da ministra Carmem Lúcia, que desfez o que ela mesma havia determinado em sessão de fevereiro de 2010, votando pela inconstitucionalidade do recolhimento do percentual de 2,3% sobre a produção bruta da agropecuária. A apreensão é de que os valores possam ser cobrados além da produção atual, retroativos aos últimos cinco anos de produção, castigando ainda mais o setor agropecuário, que vem sendo a âncora do superávit das exportações brasileiras. E, pior de tudo, é que a Confederação da Agricultura e Pecuária – CNA apoiou a constitucionalidade da cobrança divergindo da posição da maioria dos sindicatos e associações da base. Um desgaste desnecessário da classe pelo “fogo amigo” de quem representa o setor a nível nacional. Vai dar “pano para a manga”, porque mexeu com a rentabilidade dos produtores e sujeitos a terem que pagar pelo que não recolheram nos últimos cinco anos. Polêmicas à parte, sobre a legalidade da contribuição, o fato é que a CNA e outras entidades precisam da tal contribuição. O alvoroço se agravou porque a notícia do STF veio junto com a queda do dólar, que vem impactando os preços da soja e do milho para patamares preocupantes. Na última semana, o preço da soja caiu em média R$6/saco e o milho reduziu R$3,50/sc. Culpa do dólar que vem caindo, da super safra brasileira e da intenção de área recorde de plantio dos Estados Unidos. Preocupação dos produtores de grãos e alento dos pecuaristas. Uma “gangorra” difícil de manter equilibrada porque um depende do outro, e ambos precisam ter rentabilidade. Turbulências do agronegócio, logo num ano de fartura de produção. Nem vou comentar sobre o corte de 45,6% no orçamento do Ministério da Agricultura que o governo impôs na última semana. O Ministério ficou apenas com R$1,204 bilhão para o ano todo. Lamentável! Logo num Ministério que serve de apoio para um setor que vem salvando a economia nacional. 

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