O peixe da Semana Santa
Quinta, 13 de Abril de 2017

Na Semana Santa, volta à tona o peixe como alternativa à carne. Um costume que mexe com a população e oportuniza um mercado para os piscicultores. A mobilização parece ser coletiva em torno do peixe naquela semana, induzindo os próprios criadores a povoarem os reservatórios de olho na despesca para a Semana Santa. É estabelecida uma verdadeira euforia e até uma diversão nas propriedades que reúnem parentes, amigos e vizinhos para “secarem” os açudes. Um ajeita a rede, outro as caixas d’água, tem os que se arremangam e entram na água para manejar os apetrechos de pesca e, claro, nas barrancas estão os menos afoitos que ajudam na gritaria. Peixes pequenos, peixes grandes, algumas surpresas e, no final todos levam o exemplar, testemunhando a façanha e garantindo a refeição como manda a tradição. Para aqueles que não têm a oportunidade de buscar o seu peixe lá no interior, as feiras municipais organizadas pelas entidades, disponibilizam peixes vivos ou congelados, além dos supermercados que reforçam o estoque de pescado. Uma semana de forte comércio e de conversa em torno do peixe. Não há quem não fale ou ouça alguém falando em peixe. Por que será que tem que ser assim? Claro! Há o componente da tradição religiosa que estabelece a abstinência à carne na Sexta-Feira Santa e recomenda o peixe como alternativo e, por isso, o assunto esquenta. O assunto peixe, especialmente o consumo do pescado, deveria ser uma constante, assim como é com outras carnes. Mas ainda há muito para ser feito para estabelecer uma cadeia produtiva como é a do frango, do porco ou a do boi. Há “fermentos” de qualidade na região, especialmente no que se refere a abatedouros, embora os que estão em funcionando sejam pequenos. Está faltando uma mão empresarial polpuda para dar o salto no empreendimento iniciado e assim se constituir a alavanca regional. Será que tem peixe na região? Bom, vamos fazer contas até que o papel aceita! Vejamos: a região do Médio Alto Uruguai composto por 22 municípios tem uma população perto de 152.000 habitantes. Se cada um consumir 250 gramas de peixe só na Semana Santa, serão 38.000 kg de carne. Considerando que o rendimento de carne gira ao redor de 35%, significa que será necessário próximo de 110.000 kg de pescado, o que rende R$ 1.320.000,00. Grosso modo, representa 5.000 kg de peixe vivo/município. Aposto que nesta semana será consumido muito mais que essa quantidade. Só os municípios que apoiaram feiras têm muito mais peixe que isso. Então, se há peixes, tem água. Óbvio! Só Frederico Westphalen tem mais de 80 hectares de lâmina d’água que poderiam render pelo menos 640.000 kg de peixes/ano. Por que não tem peixe distribuído no ano todo, então? Bom! Aí é outro causo que merece mais tempo e argumentação. Que tem potencial, tem! Que tem empresas de apoio e gente que entende do assunto, tem! Que tem consumidor, tem! Então, o que falta? A indústria que compra do piscicultor. Enquanto não tiver a indústria, peixe em quantidade e variedade, só na Semana Santa!

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