A eficiência produtiva no agronegócio
Quinta, 20 de Abril de 2017

A nova estimativa da produção brasileira de grãos divulgada na semana passada pela Conab é recorde: 227,9 milhões de toneladas. Para o IBGE, a produção é ainda mais otimista: 230,3 milhões de toneladas. São apontados como fatores decisivos para a super safra as condições climáticas favoráveis e o aumento da área de cultivo em quase 3 milhões de hectares. Acho que não foram só esses fatores que contribuíram para a majoração da safra, embora sejam impactantes e, talvez os principais, uma vez que a nossa agricultura se faz basicamente com água da chuva. A leitura que faço é que há uma revolução, um tanto silenciosa, no agronegócio que, em condições adequadas, se expressa impactando positivamente os resultados. Vou chamar aqui de revolução de “eficiência produtiva”. Se trata de um conjunto de cuidados e de ações organizadas que resultam nos ganhos planejados e que chegam até o produtor por alguém qualificado. Não é obra do acaso ou sorte, mas sim, de técnicas e de trabalho considerando os fatores produtivos da propriedade. Vou citar algumas práticas: adoção de práticas de manejo e de conservação do solo, trabalho do solo de acordo com sua aptidão, o uso de sementes e mudas de qualidade, a semeadura ou o plantio na época certa, a nutrição da planta conforme a análise do solo e com a necessidade da planta, o histórico da área visando o melhor aproveitamento do nutriente, o uso da melhor densidade de plantas para o cultivo e para o local, o manejo adequado das pragas e das doenças, a colheita na época adequada, entre outras práticas. Lembro que para cada prática há a atenção especial para com a qualidade da mão de obra, para com a eficiência das máquinas e dos equipamentos, com a temperatura, com a umidade, com o vento e assim por diante. Os cuidados podem ser reportados também para a produção animal. Não é por acaso que os produtores que possuem os melhores desempenhos são os mais qualificados. São aqueles que romperam as barreiras da mesmice e adotam posturas ousadas e inovadoras. Vou reportar aqui uma afirmação que ouvi há poucos dias qualificando duas épocas da agricultura: “antigamente diziam que, se uma pessoa não servia para trabalhar na roça teria que sair para estudar. Hoje se diz que, se alguém quer trabalhar na roça vai ter que estudar”. Oportunidades e estudos não faltam nas universidades e órgãos de pesquisa, cujos resultados são difundidos pelos egressos ou pela extensão nas propriedades rurais, nas empresas de prestação de serviços ou do ramo comercial. Não é somente qualificação na área produtiva, mas também na gerencial, ambiental, comercial e mercadológica. Os resultados estão surgindo em toda parte e nas mais diferentes atividades rurais. Tem maior expressão quando o clima é favorável, mas em situações adversas é condição para a sobrevivência. O produtor atual precisa estar qualificado e atento as inovações se quiser se perpetuar e se viabilizar economicamente. Os recordes de produção e de produtividades estão sendo possíveis pela eficiência produtiva possibilitada pelo conhecimento e pelo trabalho.

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