A arte de se comportar no agronegócio
Sexta, 12 de Maio de 2017

Quando o campo é olhado de fora parece tudo mil maravilhas. Trabalho a céu aberto e ao ar livre, contato com a natureza, cheiro da erva do mato, cantar da bicharada e assim por diante. Certo que a maioria não pensa assim! Claro que tem os prazeres sim, mas nem tudo é maravilha. Basta estar na pele do agricultor para saber como são as coisas! De uma hora para outra, se pode experimentar a euforia e a angústia. Cultura com desenvolvimento espetacular e bons preços podem ir água a baixo com um granizo, enxurrada, vendaval ou chuva em demasia na colheita. Isto da porteira para dentro, mas quando se olha da porteira para fora aí vem o câmbio desfavorável que pode colher o lucro, a grande oferta de produto que derruba o preço, a alta dos insumos que encarece a produção, a logística de armazenagem e de escoamento que freia os ganhos do produtor, e assim por diante. A agropecuária talvez seja uma das poucas áreas que, estando o produto pronto, deve enviar adiante sob pena de perdas. Assim é com os cereais, com as frutas, com os hortigranjeiros, com o leite, com os animais (aves, suínos) para citar as principais da nossa região. Todo o ingresso de receita vem da comercialização de produtos. Se está pronto não pode esperar, salvo os grãos que podem ser estocados nos armazéns das cooperativas, das cerealistas ou da propriedade. Mas, aí não entra dinheiro! Serão necessárias reservas para suportar o período de armazenagem sem comercialização. Quantos têm condições de honrar os compromissos se os insumos se adquirem numa época a um preço e a comercialização ocorre em outra a um valor incerto? Angústia, preocupação e medo de tomar decisões desvantajosas, uma vez que o mercado é flutuante pela taxa de câmbio, pela lei da oferta e procura, pelos mercados globais, entre outros fatores extemporâneos. E as culturas e criações obedecem a ritmos biológicos, por isso, ainda devem estar atentos para iniciar novos ciclos de produção, mesmo que as incertezas persistam. Todas as atividades, para terem sucesso, necessitam de administração eficiente, mas no ramo do agronegócio, mais do que nunca, a gestão dentro da propriedade e a atenção para com o que acontece fora dela são imprescindíveis. Estamos experimentando na produção de grãos um momento de angústia e de apreensão depois de uma safra recorde com os cuidados dentro da propriedade. A comercialização está desvantajosa pelos preços baixos para além da porteira. O que fazer? Esperar para ver o que acontece com os consumidores mundo afora! Esperar para ver a intenção de plantio nas principais regiões produtoras! Aguardar! Se encorajar para suportar os desafios e as agruras próprias da atividade! Se animar para iniciar um novo ciclo produtivo na esperança de se colher outra grande safra e comercializar a preços compensadores. Esta é a arte de se comportar no agronegócio para não enlouquecer.

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