Erosão e inflação na contramão do agronegócio
Sexta, 07 de Julho de 2017

Começo abordando dois pontos que sempre preocupam o agronegócio: a conservação do solo e a inflação. Sobre a inflação, a juventude tem dificuldade de entender o que significa porque não experimentou os seus efeitos. Foi no governo Sarney, período de 1985 a 1990, que o povo brasileiro enfrentou a maior inflação. O salário permanecia estagnado, mas os preços dos produtos de necessidade diária subiam a todo momento. Da mesma forma, os produtos agrícolas permaneciam com os preços baixos, mas os insumos tinham preço reajustado diariamente. Uma situação angustiante que atordoou os brasileiros até que surgisse o Plano Real em 1994. Não quero seguir adiante com este assunto, mas a situação político-econômica brasileira enseja cuidados para que não voltemos a experimentar aquela instabilidade e insegurança. O assunto conservação do solo é também algo que antes da década de 1990 preocupava os agricultores e os técnicos de um modo geral. A erosão era o principal aspecto que feria o solo pelas práticas agrícolas de aração e gradagem para a implantação das culturas como a soja e o trigo. Era comum efetuar o revolvimento do solo mais de uma vez antes da semeadura para o controle das invasoras e deixar a terra solta para receber a semente. As práticas do terraceamento eram insuficientes para disciplinar a água das chuvaradas que, inevitavelmente, escorriam ladeira abaixo abrindo sulcos e em alguns casos voçorocas. A situação veio a ser amenizada e em muitos aspectos resolvidos com o sistema do plantio direto na palha a partir de meados da década de 1990. Grandes avanços de práticas de conservação do solo existiram de lá para cá, como o aperfeiçoamento de máquinas e equipamentos, manejo das culturas, implantação de terraços de base larga, o uso de herbicidas para controle de invasoras, entre outras. Estas práticas e tecnologias em diversos segmentos contribuíram para que nosso agronegócio atingisse destaque internacional, inclusive na referência mundial na conservação do solo pela ONU. Porém, sinais vêm se mostrando em muitas áreas de cultivo que deve haver correção de rumo nas práticas de condução das lavouras. A erosão voltou a ocorrer ou a se intensificar, mesmo em áreas com muitos anos de plantio direto. Um alerta que preocupa pesquisadores, técnicos e os próprios produtores. Há consenso com os envolvidos no agronegócio sobre a necessidade de maior incentivo para pesquisas na área de conservação de solo, principalmente sobre plantas de cobertura e práticas no perfil do solo. O fato é que há poucos pesquisadores trabalhando na área buscando respostas e práticas para uma diversidade muito grande de situações de cultivo. As áreas de agricultura continuam sendo ampliadas, novos equipamentos e máquinas surgiram, insumos e genética apurada estão sendo acessados pelos agricultores, porém a base de sustentação, que é o solo, carece do aperfeiçoamento das práticas e do seu trato.
 

Comentários