Perspectivas da nova safra
Sexta, 14 de Julho de 2017

Estamos no ciclo de crescimento e desenvolvimento vegetativo dos cereais de inverno. O trigo, sendo o principal deles, foi implantado tardiamente em muitas regiões por conta das chuvas intensas e contínuas durante o mês de maio e início de junho. Agora, com a falta de chuva há mais de 25 dias, a cultura se ressente pela falta de água e pelas doenças que exigem controle fitossanitário. A falta de umidade adequada no solo dificulta para que o agricultor faça a adubação de Nitrogênio em cobertura, o que pode atrasar ainda mais o desenvolvimento do cereal. O Brasil tem um consumo de trigo da ordem de 11,7 milhões de toneladas, sendo que somente 6,17 milhões de toneladas são produzidas aqui. A falta de uma política de Estado para o trigo deixa o setor desorganizado e uma enorme quantidade de terra desocupada no inverno onde poderia ser aproveitado para a produção e, ao mesmo tempo, produzir cobertura, evitando a erosão. O agricultor não se estimula para a produção porque os preços não são compensadores. Por outro lado, os preços não compensam porque produzimos sem qualidade. Há a necessidade de estratificar a produção pela aptidão do cereal. Se o foco é pão, deve-se produzir adotando-se variedades compatíveis para tal, se é para bolachas e biscoitos é outro tipo de variedade e, ainda, se é para produção de massas, há os trigos específicos para este fim.
Como a política nacional para o trigo está fragilizada ou não existe, o setor fica desorganizado e os agricultores produzem o que lhes convém. Quanto à próxima safra de verão, o setor começa a se movimentar por conta da liberação dos financiamentos bancários. A corrida pelo planejamento das atividades e pela busca dos melhores preços dos insumos se intensifica. O governo recentemente lançou o Plano Safra afirmando que não faltarão recursos para os produtores formarem suas lavouras. Diante do cenário político e econômico nacional, muitos produtores têm dificuldades de medir o quanto deve investir e em qual cultura, visto da volatilidade dos preços dos produtos agrícolas. Conforme avança a colheita do milho safrinha, aumenta a insatisfação dos agricultores em relação ao preço porque a supersafra que se desenha derruba o valor do produto no mercado a patamares que não cobrem os custos de produção. Se de um lado os produtores de grãos perdem, de outro são os produtores de suínos e aves que ganham pelo barateamento do custo da ração. Este cenário não é fato novo, pois a gangorra dos preços é fruto da lei da oferta e da procura. Pela frente ainda há a situação do clima que sempre é uma incógnita, apesar das avançadas tecnologias dos prognósticos que ajudam a antever situações de restrições de umidade. Otimismo e esperança sempre se renovam no agronegócio porque estas qualidades estão na índole do setor. Por isso, o país tem no agronegócio a âncora do superávit da balança comercial e a produção rural vem contribuindo significativamente com o desenvolvimento nacional.

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