UMA NOVA SAFRA DE VERÃO SE INICIA
Sexta, 25 de Agosto de 2017

No início da semana fomos agraciados com uma bela chuva. Já estava angustiante para muitos agricultores a situação de baixa umidade nas lavouras. O desenvolvimento dos cereais de inverno se apresentava fora da expectativa para a época e algumas operações como a da aplicação de nitrogênio em cobertura em muitas lavouras já se apresentava tardia. A chuva veio com abundância e renovou a esperança de produção dos cereais e das forrageiras para o gado leiteiro, que também estava com desenvolvimento retardado em função da falta de umidade. Para o Rio Grande do Sul, com certeza haverá redução da produtividade do trigo porque parte fora semeado tardiamente e na sequência a umidade não foi adequada para o seu desenvolvimento. Observam-se muitas lavouras que se apresentam no estágio de espigamento com um porte de planta abaixo do esperado. Vamos torcer para que, se a produtividade não for a esperada, pelo menos a qualidade do grão compense os investimentos, apesar de que a produção argentina já dá mostra que será excelente e, novamente, competirá fortemente conosco.

O milho é outra cultura que é beneficiada com a chuva dos últimos dias, pois a semeadura se intensifica na região e para as lavouras já estabelecidas, a umidade contribui para o bom desenvolvimento das plantas. Espera-se que os indicativos de não ocorrência de geadas daqui para frente se confirmem e, com isso, as culturas completando o ciclo sem restrições, compensem os investimentos dos agricultores com ótima produção.

Por falar em preço dos produtos, parece mesmo que a situação dos agricultores não é muito confortável pelo que se comportam os mercados. Tenho conversado com produtores de frangos catarinenses e a queixa é de que o custo de produção se mantém elevado para uma remuneração estagnada. A situação da indústria não deve estar confortável também, pois no supermercado tem cortes de frango a preços nunca vistos. Se de um lado o consumidor acessa produto barato e com isso pode consumir mais, por outro há uma cadeia produtiva que arca com os custos no momento. Consumidor animado pela oferta e preço acessível de um lado e de outro, produtor e agroindústria angustiados pelo que pode vir pela frente se os preços permanecerem baixos.

O cenário político e econômico brasileiro turbulento vem contribuindo para que os produtores se apresentem mais reticentes nos investimentos para a próxima safra e alguns já externam certa desmotivação para produzir. Sinal de perigo para o agravamento da crise econômica, cuja balança comercial vem sendo suportada positivamente pelo agronegócio.

Vamos trabalhar e torcer para que ao iniciar uma nova safra de verão, os ânimos do agronegócio continuem aflorados e, com isso, a economia nacional permaneça aquecida principalmente nas regiões que dependem da agricultura e da pecuária.

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