Ansiedade no agronegócio
Sexta, 01 de Setembro de 2017

Avança o período de formação das lavouras de primavera/verão e a angústia aumenta para os produtores. O agronegócio que vem segurando o aquecimento dos mercados e principalmente contribuindo decisivamente para o saldo positivo na balança comercial começa a não refletir no momento os ganhos financeiros a nível de produtor. A grande produção de grãos brasileira e norte americana vem disponibilizando no mercado uma enorme quantidade de produto que, somada às boas perspectivas da próxima safra, dão opção aos importadores de escolherem pela aquisição mais vantajosa. Os EUA produziram na última safra ao redor de 117 milhões de toneladas de soja e próximo de 384 milhões de toneladas de milho com previsão de colheita, para o ciclo que está em curso, de 116 milhões de toneladas de soja e de 362 milhões de toneladas de milho. Já o Brasil, na última safra, colheu ao redor de 114 milhões de toneladas de soja e 97 milhões de toneladas de milho com perspectivas de colheita para a próxima safra de 107 milhões de toneladas de soja e de 95 milhões de toneladas de milho. A grande produção mundial de grãos que é da ordem de 351.7 milhões de toneladas de soja e de 1.068,7 bilhões de toneladas de milho dão opções para os países compradores, como a China e outros países asiáticos, de adquirirem daqueles que têm melhor preço. Neste ponto, o Brasil tem desvantagem porque os produtos norte americanos são produzidos com um custo menor e têm uma logística de escoamento e exportação, em média, duas vezes menor que a brasileira, chegando a ser até três vezes menor se comparada ao Noroeste gaúcho para levar a safra para o porto de Rio Grande. Situação crítica também se inicia nos preços do leite, visto que há elevação da produção mundial e principalmente brasileira e o consumo começa a cair, o que deixa a indústria em apuros em relação aos mercados. A indústria do leite longa vida já opera no limite ou no vermelho visto a grande oferta e o baixo consumo. Não bastasse a crise brasileira que está afetando o consumo, a importação de lácteos do Uruguai está tirando mercado dos nossos produtores, o que desestimula ainda mais o setor. Quanto às carnes tanto de frango como de suínos, o momento brasileiro também é de apreensão, pois o poder aquisitivo da população vem caindo significativamente, refletindo no consumo. As exportações é que têm salvado o setor das carnes, embora o grande mercado seja o nacional. A crise política e econômica brasileira vem fazendo estragos no agronegócio e na população cujos reflexos podem perdurar por um longo período. Neste momento de formação das lavouras, os indicativos mostram que está mais caro produzir milho do que soja. A rentabilidade do milho pelos custos de produção e a perspectiva dos preços de venda no mercado indicam uma rentabilidade ao redor de 42% menor do que a última safra. No caso da soja, a rentabilidade também diminuiu em cerca de 30%, porém ainda se mantém em melhores condições do que o milho. Sobre a produção agrícola, ainda há a incidência do fator clima que gera sempre expectativa. Pelo cenário exposto, que pode mudar em função do câmbio e do mercado internacional, realmente é angustiante produzir.

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