Continua um panorama nebuloso no agronegócio
Sexta, 08 de Setembro de 2017

A situação do agronegócio brasileiro, em relação aos preços dos produtos, não está sendo muito favorável nas últimas semanas. Parece que em curto prazo não há eventos que modifiquem o cenário para melhor, pois há indicativos de supersafra nos Estados Unidos, podendo chegar a 119 milhões de toneladas de soja, se as condições climáticas continuarem satisfatórias. Salienta-se que a produção brasileira de soja na última safra foi de 115 milhões de toneladas e há previsão para próxima safra de uma produção de 117 milhões de toneladas. A situação da produção norte americana do milho indica uma redução da ordem de 6,5%, correspondendo a 359,5 milhões de toneladas, ainda altíssima se comparada a nossa, que tem previsão, para a próxima safra, de 95 milhões de toneladas. Tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil há estimativa de redução da produção de milho em favor da soja. A Argentina vem se apresentando, nos últimos anos, como uma grande produtora de commodities tendo uma previsão de produção de milho para a próxima safra da ordem de 40 milhões de toneladas, sendo que 27,5 milhões de toneladas são exportadas e produção de soja da ordem de 57 milhões de toneladas, embora as exportações sejam pequenas (6 milhões de toneladas). A China continua sendo a grande compradora mundial de soja apresentando disposição para aquisições da ordem de 95 milhões de toneladas. Neste momento de planejamento da safra de soja os produtores brasileiros estão apreensivos, pois os preços internacionais permanecem desaquecidos. A implantação das lavouras de milho já está indo para a reta final na região e as lavouras se apresentam com excelente emergência e estabelecimento, indicando uma boa safra. Outro setor que está apreensivo é o do leite, pois os preços estão caindo a cada dia. A indústria de leite do tipo UHT (longa vida) e do leite em pó vem apresentando prejuízo com reflexos em nível de produtor. Uma situação que pode se agravar visto que a produção historicamente aumenta na primavera e no verão e o consumo diminui. A queda no preço do leite ocorre principalmente pela redução do poder de compra do povo brasileiro que se agrava pelo desemprego. Com menos gente consumindo leite e com a tecnologia e condições favoráveis para a produção, sobra leite no mercado. Leve aumento de consumo se apresenta no início de cada mês em função da entrada dos salários no bolso dos trabalhadores, porém nada que possa causar impactos significativos na demanda. Situação parecida ocorre com as carnes, especialmente a de frango que diminuiu o consumo, pondo em apuros as indústrias. As exportações é que tem salvado os produtores de carnes, embora o grande mercado seja o nacional. Está claro que a situação política e econômica do Brasil vem impactando negativamente no bolso dos brasileiros e com fortes reflexos negativos também no agronegócio. Vive-se um momento de expectativas e de cautela nos investimentos. Os produtores, sensíveis com o que ocorre nos mercados, seguram os investimentos e conduzem somente o que é previsível, aguardando a passagem deste período nebuloso. 

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