Uma rápida avaliação do agronegócio 2017
Sexta, 08 de Dezembro de 2017

O ano de 2017 se encaminha para o seu término com um balanço satisfatório do ponto de vista da produção agrícola das culturas de verão. Recorde na produção de soja e de milho, boa produção de fumo, de feijão e de frutas. O preço é que se manteve estável e em baixa conferindo ganhos reduzidos para os produtores. Para o trigo, principal cultura de inverno, a produção foi baixa, assim como a qualidade e os preços. No ramo animal, as carnes se mantiveram com produção em alta apesar dos percalços das ações de combate às fraudes em alguns frigoríficos já anunciados pela imprensa. O leite é que teve o maior impacto negativo no preço em função da grande produção e o baixo consumo, reflexo da fragilidade do poder aquisitivo da população. De um modo geral, do que dependeu do produtor, a produção foi satisfatória. O clima também foi excelente para a produção das culturas de verão. No entanto, o trigo, principal cultura de inverno, foi prejudicado pelo veranico no mês de julho e agosto, época do crescimento vegetativo, e pelas chuvas intensas e contínuas em outubro e início de novembro, época da colheita. Do ponto de vista tecnológico, os produtores vêm evoluindo na produção eficiente. Ano após ano a adoção tecnológica aumenta e confere conforto nas lides agrícolas e contribuem para o aumento da produção. Alguns aspectos para com os cuidados do solo ainda se fazem necessários, principalmente para o manejo e para a conservação. O que não estancou também foi a migração de jovens do meio rural para as cidades, deixando ainda mais frágeis muitas das pequenas propriedades e comunidades. Por outro lado, nota-se que muitos empresários do ramo urbano vêm investindo em negócios rurais. Uma nova realidade que deve aumentar, porém a situação de reversão do quadro do esvaziamento rural não deve acontecer. O que foi conturbado foi a política econômica brasileira que fragilizou os agricultores com o aumento dos combustíveis, com o enfraquecimento do poder de compras da população que passou a consumir menos, pela falta de investimentos nas estruturas de escoamento e armazenagem da produção, pela possibilidade de alteração na lei da previdência social que ameaça as conquistas sociais, entre outras. Acredito que pouca coisa deverá mudar neste sentido, pois carecemos de espírito de mobilização e de inconformismo. A população assistiu anestesiada aos malabarismos do governo federal para se manter no poder e conservar os privilégios. Assistimos “resmungando” as bravatas do governo, porém ficamos anestesiados diante das ameaças que vêm se apresentando. Sinto que está havendo profundas mudanças no comportamento da sociedade aonde o tecnicismo e o individualismo vêm esvaziando os encontros e o nosso poder de mobilização. Cenários nada animadores para a política brasileira para as próximas eleições presidenciais, pois candidatos com poder de unir a população em torno de objetivos comuns não vêm se apresentando. Precisamos cuidar da política, assim como da produção.

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